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domingo, 30 de dezembro de 2012

Ensino da robótica nas escolas cearenses

Inicialmente, aqueles que leem este artigo devem pensar – “tanta coisa importante, e muito precisa ser feita pela educação, e esse autor vem falar do uso de robôs”. Concordo que o processo de educação no Brasil ainda possui muitas fragilidades, sejam na infraestrutura física, na abordagem pedagógica ou ainda na valorização daqueles profissionais que a praticam, mas acredito que é urgente que se construa um programa para educação que apoie o desenvolvimento econômico e social de forma sustentável.

Hoje, vivemos uma inquietante escassez de mão de obra em setores críticos para o desenvolvimento econômico, faltam programadores e analistas de softwares; faltam engenheiros de toda sorte de especialidades; faltam professores de matemática e física para nossos alunos; faltam técnicos industriais e agrônomos, e até uma nova geração de cientistas para as universidades. A maioria dos nossos alunos buscam áreas com relativa “segurança” profissional como, por exemplo: direito, administração e medicina, onde a luta por uma vaga no mercado de trabalho é sempre na casa de um para milhares. Todos as áreas profissionais são úteis para a sociedade, mas cabe ao processo educacional estimular o interesse por aqueles segmentos menos procurados, mas ainda importantes.

É neste momento que sugerimos o uso da educação robótica como ferramenta para estimular nos nossos jovens o surgimento do interesse por áreas técnicas e de engenharia, sem contar que o contato com raciocínios lógicos e abstratos podem fazer surgir entre eles excelentes matemáticos e físicos, tanto capazes de realizar pesquisa acadêmica avançando a fronteira do conhecimento, quanto realizar ensino de altíssima qualidade formando melhor as gerações futuras.

Os robôs despertam o interesse da humanidade desde a antiguidade, é antigo o sonho do homem em construir máquinas que resolvam problemas relacionados à realização de trabalhos humanos, existem registros desde os gregos, temos ainda os experimentos de Leonardo da Vinci e seus autômatos, até o uso extensivo da robótica nos dias de hoje em fábricas de montagem, principalmente no ramo automotivo, ou ainda na exploração de petróleo em águas profundas e mesmo na exploração de outros planetas. Vale destacar a participação da brasileira Jacqueline Lyra, engenheira da Nasa, na construção do robô Curiosity que explora marte desde 2012.

A educação robótica tem por característica a existência de um ambiente de aprendizagem onde o aluno pode montar e programar um robô ou sistema robotizado. Esta aprendizagem acontece na sala de aula através da utilização de kits de robótica compostos por robôs ou conjuntos de peças, motores, sensores, software de programação e controle. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Mit) nos EUA, tem desenvolvido importantes experiências desde os anos 70 como, por exemplo, a tartaruga movimentada através de comandos de programação simples (Logo), ou ainda seus atuais projetos de robótica educacional (GoGoBoard).

O Brasil também tem inúmeros projetos bem sucedidos, basta uma olhada rápida na Internet para constatar. Destaca-se nesse contexto aqui no Ceará os esforços do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação (Itic) e seu parceiro Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer Nordeste nos seus inúmeros projetos envolvendo robótica nas áreas educacional, exploração de petróleo, monitoramento ambiental e simulação em ambientes virtuais.

Hoje o desafio é levar a robótica educacional a todas as escolas, não somente às escolas particulares, permitindo as nossas crianças e jovens através do contato com componentes eletrônicos, desafios lógicos e tecnológicos a descobrirem que podem mudar as condições econômicas e de qualidade das suas próprias vidas, de seu bairro, cidade, estado ou país, produzindo soluções que resolvam problemas na fronteira do desenvolvimento tecnológico e econômico e que se crie uma multidisciplinaridade saudável em termos de disponibilidade de recursos humanos para o setor produtivo.

ENTENDA A NOTÍCIA

Por meio de kits de robótica, estudantes das escolas públicas seriam iniciados na busca para produzir soluções que resolvam problemas na fronteira do desenvolvimento tecnológico e econômico

Luiz Eduardo dos S. Tavares é coordenador técnico da Redenitce e do Observatório de Inovação do Instituto de Tcnologia da Informação e Comunicação

Luiz Eduardo S. Tavares
ESPECIAL PARA O POVO
odraudett@gmail.com 

Fonte: O Povo Online.

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