Inicialmente, aqueles que leem este artigo devem pensar – “tanta
coisa importante, e muito precisa ser feita pela educação, e esse autor
vem falar do uso de robôs”. Concordo que o processo de educação no
Brasil ainda possui muitas fragilidades, sejam na infraestrutura física,
na abordagem pedagógica ou ainda na valorização daqueles profissionais
que a praticam, mas acredito que é urgente que se construa um programa
para educação que apoie o desenvolvimento econômico e social de forma
sustentável.
Hoje, vivemos uma inquietante escassez de
mão de obra em setores críticos para o desenvolvimento econômico,
faltam programadores e analistas de softwares; faltam engenheiros de
toda sorte de especialidades; faltam professores de matemática e física
para nossos alunos; faltam técnicos industriais e agrônomos, e até uma
nova geração de cientistas para as universidades. A maioria dos nossos
alunos buscam áreas com relativa “segurança” profissional como, por
exemplo: direito, administração e medicina, onde a luta por uma vaga no
mercado de trabalho é sempre na casa de um para milhares. Todos as áreas
profissionais são úteis para a sociedade, mas cabe ao processo
educacional estimular o interesse por aqueles segmentos menos
procurados, mas ainda importantes.
É neste momento que
sugerimos o uso da educação robótica como ferramenta para estimular nos
nossos jovens o surgimento do interesse por áreas técnicas e de
engenharia, sem contar que o contato com raciocínios lógicos e abstratos
podem fazer surgir entre eles excelentes matemáticos e físicos, tanto
capazes de realizar pesquisa acadêmica avançando a fronteira do
conhecimento, quanto realizar ensino de altíssima qualidade formando
melhor as gerações futuras.
Os robôs despertam o interesse da
humanidade desde a antiguidade, é antigo o sonho do homem em construir
máquinas que resolvam problemas relacionados à realização de trabalhos
humanos, existem registros desde os gregos, temos ainda os experimentos
de Leonardo da Vinci e seus autômatos, até o uso extensivo da robótica
nos dias de hoje em fábricas de montagem, principalmente no ramo
automotivo, ou ainda na exploração de petróleo em águas profundas e
mesmo na exploração de outros planetas. Vale destacar a participação da
brasileira Jacqueline Lyra, engenheira da Nasa, na construção do robô
Curiosity que explora marte desde 2012.
A educação robótica
tem por característica a existência de um ambiente de aprendizagem onde o
aluno pode montar e programar um robô ou sistema robotizado. Esta
aprendizagem acontece na sala de aula através da utilização de kits de
robótica compostos por robôs ou conjuntos de peças, motores, sensores,
software de programação e controle. O Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (Mit) nos EUA, tem desenvolvido importantes experiências
desde os anos 70 como, por exemplo, a tartaruga movimentada através de
comandos de programação simples (Logo), ou ainda seus atuais projetos de
robótica educacional (GoGoBoard).
O Brasil também tem
inúmeros projetos bem sucedidos, basta uma olhada rápida na Internet
para constatar. Destaca-se nesse contexto aqui no Ceará os esforços do
Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação (Itic) e seu
parceiro Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer Nordeste nos
seus inúmeros projetos envolvendo robótica nas áreas educacional,
exploração de petróleo, monitoramento ambiental e simulação em ambientes
virtuais.
Hoje o desafio é levar a robótica educacional a
todas as escolas, não somente às escolas particulares, permitindo as
nossas crianças e jovens através do contato com componentes eletrônicos,
desafios lógicos e tecnológicos a descobrirem que podem mudar as
condições econômicas e de qualidade das suas próprias vidas, de seu
bairro, cidade, estado ou país, produzindo soluções que resolvam
problemas na fronteira do desenvolvimento tecnológico e econômico e que
se crie uma multidisciplinaridade saudável em termos de disponibilidade
de recursos humanos para o setor produtivo.
ENTENDA A NOTÍCIA
Por
meio de kits de robótica, estudantes das escolas públicas seriam
iniciados na busca para produzir soluções que resolvam problemas na
fronteira do desenvolvimento tecnológico e econômico
Luiz Eduardo dos S. Tavares é coordenador técnico da Redenitce e do Observatório de Inovação do Instituto de Tcnologia da Informação e Comunicação
Luiz Eduardo S. Tavares
ESPECIAL PARA O POVO
odraudett@gmail.com
Fonte: O Povo Online.
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