Vamos à Índia
para conhecer um hospital do coração supermoderno, onde os pacientes
são operados com vista para a natureza. Um centro de excelência que
conseguiu derrubar o custo das cirurgias sem perder qualidade. Isso
porque na Índia não existe um sistema público de saúde como no Brasil.
Muitos indianos têm que pagar pelo tratamento médico. O Fantástico
mostra que hospital é esse e por que ele atrai gente de todo o mundo.
O nome é meio complicado: Narayana Hrudayalaya. Esse é um hospital que
está ficando cada vez mais famoso no mundo todo. E é para todo mundo.
Na entrada existem templos e capelas para as principais religiões da
Índia. E nas salas de espera se vê o de sempre em grandes hospitais: o
movimento, o sofrimento.
Somos levados direto para a cirurgia. Aparelhos sofisticados, uma
equipe concentrada no delicado trabalho. Tem enormes janelas com a luz
do dia e a natureza logo ao lado. São 24 centros cirúrgicos assim.
Num deles, o foco de todos os profissionais é um rapaz de apenas 24
anos sendo operado. O problema é no coração. O indiano, como muitos
asiáticos, tem três vezes mais propensão a ter problemas cardíacos do
que pessoas no resto do mundo.
Quem está operando é Devi Shetty, o dono desse hospital diferente. O
hospital que mais faz operações no coração do mundo. “São, em média, 35
por dia”, conta o doutor Shetty, “mas dá pra fazer até 64”.
“Essa cirurgia custaria US$ 50 mil nos Estados Unidos”, diz. Mais de R$ 100 mil. Aqui custa US$ 3 mil, pouco mais de R$ 6 mil.
Tudo o que é feito aqui é igualzinho aos melhores hospitais americanos.
Mas como uma operação pode custar uma fração de um país para outro?
Devi Shetty mostra uma roupa dessas usadas por cirurgiões. “Em vez de
importá-las prontas, nós compramos esse tipo de material e costuramos
tudo aqui. É muito mais barato”, diz ele.
Equipamentos sofisticados são comprados em quantidade diretamente dos fabricantes. “Quando se fala em saúde pública, uma solução que as pessoas não têm condições de pagar não é uma solução”, explica.
Equipamentos sofisticados são comprados em quantidade diretamente dos fabricantes. “Quando se fala em saúde pública, uma solução que as pessoas não têm condições de pagar não é uma solução”, explica.
“Pense num celular”, diz o médico. “Por que hoje é tão barato? Porque
centenas de milhões de indianos podem comprar, e os preços caem”.
O médico nos leva então pra ver um setor que prova as ideias desse
visionário. É o maior centro de tratamento intensivo para recém nascidos
do mundo. São 80 leitos, 80 criancinhas que já nos primeiros minutos de
vida precisam de algo tão brutal como uma operação no coração. Aqui já
foram atendidos bebês de 75 países.
Num país como a Índia, com uma população de 1,2 bilhão de pessoas, tudo
em termos de necessidade é maior. O que esse hospital fez foi
transformar algo que era uma desvantagem numa vantagem. Quanto mais eles
atendem, mais barato tudo fica.
Duas mil pessoas trabalham no hospital; a maioria, mulheres. Talvez
porque Devi Shetty teve sua vida mudada ao cuidar de uma muito especial.
Ele foi o médico da Madre Teresa de Calcutá.
E ela disse pra ele uma frase que o marcou: "As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam".
O doutor explica o tamanho do desafio que Madre Teresa colocou pra ele: “A Índia precisaria fazer 2,5 milhões de operações por ano, conseguimos no máximo 100 mil. Aqui, de todas as crianças que nascem por dia, entre 600 e 800 precisam de uma cirurgia cardíaca. Quantas podem pagar? Por quanto tempo vamos permitir que as pessoas sofram e morram quando existe uma solução?”, ele pergunta.
O doutor explica o tamanho do desafio que Madre Teresa colocou pra ele: “A Índia precisaria fazer 2,5 milhões de operações por ano, conseguimos no máximo 100 mil. Aqui, de todas as crianças que nascem por dia, entre 600 e 800 precisam de uma cirurgia cardíaca. Quantas podem pagar? Por quanto tempo vamos permitir que as pessoas sofram e morram quando existe uma solução?”, ele pergunta.
“O custo das cirurgias tem que baixar em 75% e isso pode ser feito”, ele diz.
Ele diz e faz. Atende gente do mundo todo.
Chegam os pais com a filhinha, que tem um problema grave. A mãe chora, a
menina vai ter que ser operada. A voz de Devi Shetty anestesia um pouco
da dor. Um homem, ainda jovem, também coloca a vida dele nas mãos do
médico. Também não segura as lágrimas.
Uma mão no ombro, uma palavra de esperança. Aqui o preço de cada
cirurgia é negociável. Quem tem mais, paga mais. Quem nada tem, não
paga.
Dizem que uma vida não tem preço, mas Devi Shetty prova que tem. E que esse preço pode ser acessível para muito mais gente.
Fonte: G1/ Fantástico
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