Wu Shang Yi e sua filha Jacqueline Chen, que foi
expulsa por engano do Enem
(Foto: Paulo Guilherme/G1)
expulsa por engano do Enem
(Foto: Paulo Guilherme/G1)
A estudante paulista Jacqueline Meei Yi Chen, de 16 anos, recebeu sua
nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 junto com os
demais candidatos que realizaram o exame, apesar de ter feito parte das
provas 46 dias depois dos demais, em uma edição realizada pelo
Ministério da Educação especificamente para ela. Segundo sua mãe, Wu
Shang Yi, mais do que saber a nota, "o alívio maior foi de ter acabado
com tudo isso". Ela considerou o resultado "razoável": a nota da redação
passou de 700, e a mais baixa foi a de linguagens, na qual a garota
tirou mais de 500 pontos.
Jacqueline foi expulsa do exame no segundo dia de provas, em 4 de
novembro, depois de ser confundida com uma homônima que, segundo o MEC,
tirou foto do cartão de respostas do Enem no dia anterior e postou nas
redes sociais. Quatro dias depois, o MEC admitiu o equívoco. Após uma
série de decisões judiciais, a prova de Jacqueline foi aplicada em seu
colégio, o Dante Alighieri, em São Paulo, no dia 20 de dezembro.
Segundo sua mãe, Wu Shang Yi, a adolescente só foi autorizada a fazer a
prova a partir das 13h. Por isso, a família, que mora na Liberdade, na
Zona Sul, precisou alugar um flat na região da Avenida Paulista para que
Jacqueline se preparasse para a festa de formatura do ensino médio,
marcada para a noite do mesmo dia 20 na Mooca, Zona Leste da capital.
"Ela chegou lá muito brava. Ela ficou meio decepcionada pela falta de
compreensão da parte deles, porque era o dia da formatura dela. A festa
de formatura não é uma festinha qualquer, e a prova do Enem não é um
compromisso qualquer", afirmou Wu Shang ao G1.
A mãe de Jacqueline, porém, elogiou o trabalho dos fiscais do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
"Os fiscais foram compreensivos, a acalmaram, conversaram com ela, daí
foi tudo bem." A estudante fez três provas: linguagens, matemática e
redação, que, segundo ela, teve como tema "A responsabilidade sobre o
sofrimento do outro".
A assessoria de imprensa do MEC confirmou que a aplicação e a correção das provas ocorreram sem problemas.
Nota alta na redação
Segundo a mãe, a nota da redação da adolescente passou de 700, e a prova na qual ela foi pior foi linguagens, em que tirou mais de 500. "Mas não sei se é suficiente para o curso que ela quer", diz. Jacqueline sonha em estudar arquitetura, e prestou quatro vestibulares, para a Universidade de São Paulo (USP), para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e para a Universidade Presbiteriana Mackenzie.
É nessa última que a garota mais quer entrar, mas, de acordo com a mãe,
Jacqueline não foi bem na prova. Tanto o Enem de Jacqueline quanto o
vestibular do Mackenzie foram aplicados no mesmo local e, por isso, o
nervosismo tomou conta da jovem. A nota do Enem será usada para calcular
sua pontuação final.
A primeira chamada do Mackenzie será divulgada na próxima quinta-feira
(3). Enquanto isso, Jacqueline aguarda ainda o resultado da segunda fase
da Unesp, único dos três vestibulares das estaduais paulistas no qual
foi aprovada na primeira fase.
De acordo com o advogado da família, a recusa da garota em realizar o
Enem na segunda edição do exame (dias 4 e 5 de dezembro, junto com
detentos e candidatos que por vários motivos não puderam fazer uma das
provas regulares em 3 e 4 de novembro) foi porque a data era próxima de
outras provas. O processo seletivo do Mackenzie teve a prova objetiva no
dia 8, e a prova de habilidades específicas dos candidatos de
arquitetura e urbanismo no dia 7.
Por isso, a defesa de Jacqueline conseguiu na Justiça o direito de
realizar a prova em outra data, no dia 12. O MEC então protocolou um
recurso afirmando que não teria como elaborar outra prova em tempo
hábil, e a Justiça então alterou a data para o dia 20, coincidindo com
sua formatura.
Em sua decisão, a desembargadora Consuelo Yoshida afirmou que deferiu o
agravo do MEC "para se conceder uma dilação maior de prazo para a
preparação adequada da prova e demais trâmites" e que o adiamento se
trata de uma "solução equânime que atenda os interesses de ambas as
partes".
Porém, Wu Shang afirma que a decisão foi unilateral. "Determinaram uma
data e em momento algum tiveram interesse de perguntar se a gente podia
ou não. A preocupação não era ficar perturbando o Enem, a gente só
queria que ela tivesse condições de fazer uma boa prova", explicou.
O próximo passo da estudante agora é esperar pelo resultado do
vestibular do Mackenzie, para ver se usa ou não a nota do Enem para se
inscrever em instituições participantes do Sistema de Seleção Unificada
(Sisu).
Fonte: G1.
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