Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação
(antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados, etc), vá até o fim da
reportagem e utilize a seção de comentários. A coluna responde perguntas
deixadas por leitores todas as quartas-feiras.
Se você for um usuário de Android, sim, pode estar na hora de
instalar um antivírus no seu celular ou tablet. A decisão do Google de
permitir o carregamento de aplicativos de qualquer origem no sistema
Android e de realizar apenas verificações superficiais nos aplicativos
enviados ao Google Play está começando a mostrar que existe uma
diferença bastante grande nas propostas “fechadas” (Apple e Microsoft) e
a proposta aberta do Google.
E não é apenas o Google Play que está com seus problemas ocasionais.
Na semana passada, Roel Schouwenberg, pesquisador antivírus da Kaspersky
Lab, conseguiu identificar um aplicativo falso na loja de apps da
Amazon usada pelo tablet Kindle Fire. Embora o aplicativo não
realizasse nenhuma atividade especialmente danosa, ele exibia uma
mensagem falsa ao internauta de que a conexão com a internet do tablet
havia sido melhorada, quando na verdade nenhuma modificação era
realizada no aparelho. Depois, exibia propaganda intrusiva no sistema
operacional.
As iniciativas do Google para defender os usuários de Android não
estão funcionando muito bem. Um teste realizado por um especialista da
Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, mostrou
que o filtro do Google embutido na versão 4.2 do Android detecta apenas 15% dos apps maliciosos.
O “Bouncer”, programa que o próprio Google executa em seus servidores
para testar os aplicativos depois que eles são enviados ao Google Play,
também pode ser facilmente burlado, segundo um estudo de especialistas da companhia de segurança Trustwave.
Traduzindo: as defesas embutidas no ecossistema do Android não estão dando conta do recado.
Quem gosta de passear pelo Google Play e testar vários aplicativos
pode acabar instalando um software que não cumpre o prometido, envia
dados do telefone aos responsáveis, exibe propagandas ou, na pior das
hipóteses, que infectará o celular com algum código malicioso.
Para instalar um app de forma segura no Android, já é preciso
realizar uma pesquisa na web para saber se o programa tem um bom
histórico. Essa não é uma situação ideal: ninguém deveria ter de se
preocupar com a segurança dos aplicativos que instala, especialmente se
ele apenas está utilizando as fontes oficiais de apps, como é o caso do
Google Play ou o Amazon Market.
É claro que o risco para quem instala software de terceiros ou
softwares piratas (principalmente) está em muito mais risco e poderá ser
infectado com pragas digitais muito mais perigosas.
Outro problema no caso do Android é que muitos fabricantes deixam o
sistema desatualizado em certos modelos de celular. Essas versões
antigas do sistema podem conter falhas de segurança, que podem tornar um
tanto mais simples ou mais perigoso, dependendo do tipo de falha em
questão.
Para conferir quais são os melhores produtos antivírus, o laboratório
alemão AV-Test passará a realizar avaliações dos softwares para Android
a cada dois meses a partir de janeiro de 2013. (Confira a página no site do AV-Test, em inglês).
De modo geral, os nomes mais “tradicionais” do ramo tiveram vantagem em
relação aos novos produtos específicos para celulares, com exceção das
empresas NQ, Zoner e Lookout, que foram bem no teste.
E a Apple?
Embora teoricamente seja possível burlar as verificações da Apple e conseguir listar um aplicativo malicioso no App Store, na prática isso ainda não se realizou – ou pelo menos ninguém sabe que isso aconteceu.
Até o momento, a proposta da Apple de restringir quais aplicativos
poderão ser instalados no celular tem proporcionado uma segurança maior
aos usuários, apesar da fatia considerável do mercado pertencente a
iPhones e iPads. O preço é uma liberdade reduzida, claro.
Não que a App Store esteja livre de fraudes. O site de jogos “Kotaku”
publicou na semana passada sobre dois aplicativos com o nome de “Halo
4″, referenciando o jogo de tiros popular da Microsoft (leia aqui).
Um dos jogos era na verdade de xadrez; o outro, de corrida. Nenhum
deles tinha qualquer relação com o verdadeiro, e havia diversas
avaliações falsas de “5 estrelas”.
Nos computadores Macintosh, onde as restrições são menores, problemas com vírus são reais também. Mas a coluna Segurança Digital segue
com a opinião de que não há necessidade de antivírus para Mac OS X, a
não ser que seja impossível seguir alguma outra recomendação de
segurança (por exemplo, seja impossível manter o sistema atualizado) ou
se o Mac for utilizado em ambiente de trabalho.
O Windows Phone ainda não tem um mercado para ser interessante para
desenvolvedores de apps maliciosos, mas é bem provável que aconteça mais
ou menos o mesmo da Apple, considerando-se que nele os aplicativos
também são controlados pela Microsoft.
O preço da liberdade do Android realmente está sendo a convivência
com alguns inquilinos “indesejados” na plataforma, e a conta começou a
chegar.
Fonte: G1.
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