Lisboa, 14 jan (EFE).- O cansaço e o estresse no trabalho são as
causas que mais minam o 'mal compreendido' desejo sexual masculino,
segundo um estudo realizado por três pesquisadores europeus e
apresentado nesta segunda-feira em Lisboa.
A pesquisa, feita a partir de entrevistas pela internet com 5.255
homens heterossexuais em países de 'grandes diferenças culturais' como
Portugal, Croácia e Noruega, oferece dados empíricos sobre um campo
dominado por mitos, explicou à Agência Efe Ana Alexandra Carvalheira,
coordenadora do estudo.
'Estamos cheios de crenças, por exemplo, de que o homem está sempre
pronto ou que tem mais desejo sexual que a mulher; assim a sociedade
acredita, apesar de não haver avaliações científicas suficientes para
dar aval', declarou Carvalheira.
Após o cansaço e o estresse, os problemas na relação (casais pouco
disponíveis, conflitos...) são os fatores mais comuns para 14,4% de
entrevistados, que admitiram falta de desejo sexual durante pelo menos
dois meses no último ano, o que gerou situações como ejaculação precoce
ou, sobretudo, incapacidade para manter a ereção.
Por grupos de idade, os homens entre 30 e 39 anos são os que mais
reconhecem esta diminuição do desejo (24,1%), um caso que, segundo
Carvalheira, também presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia
Clínica, se explica por se tratar da época em que mais eventos
estressantes se concentram.
'Nesse período da vida é quando se casam, têm filhos, se divorciam ou
realizam um maior investimento na carreira profissional', afirmou a
pesquisadora.
Do lado oposto, apenas 10% dos homens com mais de 60 anos
reconheceram perda de interesse sexual, seguido do grupo entre 18 e 29
anos (16,7%), de 50 a 59 (21,4%) e de 40 a 49 (21,5%).
De acordo com a pesquisadora, que realizou o estudo junto com
Aleksandar Stulhofer (Universidade de Zagreb) e Bente Traem
(Universidade de Oslo), a crise econômica pode afetar a vida sexual
masculina ou encontrar no sexo 'a maneira de aliviar o estresse que ela
produz'.
Além disso, a especialista portuguesa encontra na banalização do
papel do sexo na sociedade um aspecto que condiciona muitos destes
fatores, como a diminuição do desejo em casais de longa duração, razão
também presente no estudo junto com a masturbação excessiva ou o uso de
muita pornografia.
'O erotismo é o que mobiliza o desejo, é o motor e desaparece com a
banalização do sexo. Temos que 'reerotizar', pôr mais erotismo em nossa
vida individual e em nossa relação de casal', aconselhou Carvalheira.
Fonte: G1.
Nenhum comentário:
Postar um comentário