Em São Paulo, são necessárias 106 h de trabalho. Já em outras cidades, como Zurique, apenas 22 h
Há alguns anos, os telefones celulares eram considerados artigos de luxo devido aos seus altos preços. Hoje, de um modo geral, o acesso a aparelhos celulares já é bastante facilitado, como modelos custando menos de R$ 100. No entanto, outros aparelhos, como o iPhone, da Apple, um dos celulares mais desejados do mundo, seguem sendo um sonho de consumo para muitos brasileiros e, em especial, para muitos fortalezenses.
Isso porque os trabalhadores da Capital cearense precisam trabalhar 316 horas para conseguirem comprar um iPhone, quase três vezes mais que os de São Paulo, que precisam cumprir uma jornada de 106 horas, e bem acima da média de trabalho necessário em cidades como Nova York (27,5 horas) e Zurique (22 horas).
O cálculo para Fortaleza foi realizado considerando o salário médio do trabalhador local (R$ 1.019) e a média de horas trabalhadas por semana (42 horas), conforme dados do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). A estimativa também considera o valor do iPhone 4S de 16GB, com preço de setembro de 2012 (R$ 1.899), conforme o avaliado para outras cidades do mundo pelo Union Bank Switzerland (UBS), que desenvolveu o "Índice iPhone". A análise do UBS reflete aspectos como renda, avanços tecnológicos, custo de vida, capacidade de consumo e protecionismo de um país.
Mais horas
Caso o trabalhador de Fortaleza queira adquirir um iPhone 5, lançado pela Apple em setembro passado, seria necessário cumprir uma jornada de trabalho ainda maior: 400 horas. Isso considerando a versão mais barata da nova geração do celular, que custa, em média, R$ 2.400,00.
Para o economista Alex Araújo, a maior quantidade de horas que o fortalezense precisa trabalhar para adquirir um iPhone está relacionada a dois principais aspectos: a carga tributária do País e a renda do trabalhador local. "De um lado, está a alta carga tributária do Brasil para alguns produtos importados. Do outro, a média salarial, que faz com que alguns produtos sejam um sonho de consumo", diz.
´Sedução´
Além das características que fazem do iPhone um dos celulares mais desejados em todo o mundo, Araújo destaca que existe "uma sedução muito grande pela marca e pelo produto em si, que acaba sendo objeto de desejo". Essa sedução contribui para que muitas pessoas comprem o iPhone, mesmo que o valor esteja além da sua capacidade de pagamento e que o produto não seja necessário. "O ideal é ter um pouco de racionalidade na compra. Existem muitos aparelhos semelhantes e com preços bem menores", orienta.
Fonte: Diário do Nordeste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário