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domingo, 7 de setembro de 2014

Ceará não atrai palanques para presidenciáveis

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O cientista político Clésio Arruda diz que, no pleito de 2010, 
o palanque de Dilma Rousseff no Ceará estava homogêneo, 
evitando constrangimentos
Foto: Kiko Silva 
 
Faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições, os presidenciáveis têm participação tímida na campanha eleitoral do Ceará. Contradições das coligações partidárias e falta de identidade com candidatos ao Governo do Estado colocam postulantes a presidente da República em situação pouco confortável no Estado. Longe dos comícios, pleiteantes cearenses têm de se contentar com palanques eletrônicos, com rápidas aparições no rádio e na televisão ao lado de lideranças nacionais.

O imbróglio que circunda as alianças no Ceará propicia que somente os presidenciáveis dos partidos pequenos tenham trânsito livre nas campanhas do Ceará. A coligação formada por PSTU, PSOL e PCB e apoiadora da candidatura de Ailton Lopes ao Governo do Estado já recebeu Zé Maria Almeida, Luciana Genro e Mauro Iasi em atividades de campanha do Ceará. Os três são postulantes ao Palácio do Planalto por siglas da coligação.

A situação dos dois candidatos com maior expressão eleitoral, Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT), é desconcertante. Embora o petista seja do mesmo partido da presidente Dilma Rousseff, ela não tem se pronunciado em favor de Santana. Isso porque o adversário peemedebista é aliado de primeira ordem da chefe do Executivo federal, inclusive filiado ao PMDB do vice-presidente Michel Temer. Dilma veio ao Ceará na última quinta-feira e não fez campanha para nenhum dos dois.

Eliane Novais não passa por constrangimentos em relação ao nome que o seu partido, o PSB, apoia para a Presidência da República: a ex-senadora Marina Silva. O problema é que, sem proximidade política entre as postulantes e com a polarização das candidaturas de Eunício e Camilo, torna-se cada vez mais inviável a transferência de votos da presidenciável para Novais.

Alterações

O professor Osmar de Sá Ponte, do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que, a essa altura da campanha, dificilmente o cenário sofrerá alterações significativas na influência de presidenciáveis no Estado. "A única possibilidade de mudar seria um crescimento do Aécio Neves", declara, opinando que isso não deve se concretizar.

Na avaliação do docente, essa possibilidade de crescimento do tucano, aliada ao acirramento da campanha no Ceará, poderia levar Eunício Oliveira a abrir palanque para Aécio. O peemedebista cearense, apesar de declarar voto a Dilma Rousseff, é companheiro de chapa de Tasso Jereissati, do PSDB. Com as quedas de intenção de voto em Aécio Neves, Eunício Oliveira deve tentar descolar ainda mais o seu nome do presidenciável.

Para Osmar de Sá Ponte, Marina Silva não vai conseguir arregimentar votos pró-Eliane Novais, embora sejam da mesma legenda, por conta do acirramento da disputa entre Camilo Santana e Eunício Oliveira. "A tendência é a polarização diminuir a votação dela (Eliane). Só mudaria se ocorresse um fato novo que associasse o nome dela ao de Marina. Não há uma identidade e Marina não vai priorizar o Ceará como palanque presidencial", afirma.

A pesquisa Ibope contratada pelo Sistema Verdes Mares e divulgado no dia 3 de setembro mostra Eliane Novais com 4% das intenções de voto. O último levantamento apontava a pessebista com 6% da preferência do eleitorado. Eunício Oliveira perdeu dois pontos e ficou com 42%, enquanto Camilo Santana chegou a 34%, subindo 20 pontos. Ailton Lopes oscila de 3% para 2% na pesquisa.

Estável

O sociólogo Horácio Frota, coordenador do mestrado em políticas públicas da Universidade Estadual do Ceará (Uece), ressalta que a tendência é que o petista Camilo Santana comece a ter mais influência da campanha de Dilma Rousseff no Ceará, apesar de a presidente estar impossibilitada de pedir votos para ele. "Mesmo que não seja diretamente para Camilo Santana, ele recebe influência dela. Isso faz com que Eunício paralise qualquer ação com Aécio", relata.

Horácio Frota alega que, em eleições anteriores, os candidatos a presidente eram mais presentes no Ceará, porque o cenário ficou estável. "Não tinha um quadro que temos hoje, houve mais influência antes. Não dá para brigar com Eunício ou então fazer o que o Lula fez na eleição passada (quando pediu votos para José Pimentel e Eunício para o Senado). É uma sensação muito esquisita", aponta.

O cientista político Clésio Arruda, professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), esclarece que houve uma mudança de contexto em relação às eleições de 2010 devido ao desgaste de um projeto de governo que já dura 12 anos. "Era mais fácil manter uma coalizão de partidos no poder (...) É impraticável que se mantenha uma coligação indefinidamente", argumenta.

O docente acrescenta que, há quatro anos, na reeleição do governador Cid Gomes, o palanque de apoio à presidente Dilma Rousseff era unificado. "Havia um palanque homogêneo no Ceará e no plano federal. Era uma disputa bipolar. Isso levou os estados a terem uma definição mais clara de apoio", elucida. "À medida que vai avançando na abertura de novas forças políticas nos estados brasileiros, encontramos forças que querem chegar ao poder", completa.

Para Josênio Parente, cientista político da UFC e da Uece, o poder do PT no Ceará é ligado à imagem do ex-presidente Lula, e não à candidata à reeleição Dilma Rousseff. "Ele conseguiu fazer uma base no Nordeste, mas foi cada vez mais definhando e dando espaço ao PSB", opina.

Lorena Alves
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste / Política
 

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