O debate
promovido nesta segunda-feira pela Folha de S. Paulo, UOL, SBT e Jovem
Pan, foi marcado pela troca de acusações entre as candidatas Dilma
Rousseff e Marina Silva. Já Aécio Neves concentrou suas críticas ao
governo na economia e na segurança pública. Dilma defendeu o governo
relacionando obras e investimentos em vários setores, e Marina criticou a
inflação, o baixo crescimento e a dificuldade de o governo reconhecer
os erros.
Marina acusou Dilma de não ser capaz de
reconhecer seus erros na política econômica. "A candidata Dilma não
consegue fazer uma coisa que é essencial para quem pretende um segundo
mandato para governar um país como o Brasil,
que é reconhecer os erros, porque se não reconhece os erros, não tem
como repará-los", afirmou Marina em um dos momentos mais quentes do
debate.
A candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB), disse que o Brasil sofre com "inflação alta", "baixo crescimento"
e "juros altos". Também mencionou as manifestações de junho de 2013
para ilustrar o descontentamento da população que, segundo ela, "paga um
preço muito alto pela péssima qualidade dos serviços que estão
prestados".
Em sua resposta, Dilma disse que é preciso
reconhecer os erros e especificou que "um diagnóstico errado vai levar a
um caminho errado". A presidente também aproveitou para criticar as
propostas econômicas de Marina. Dilma afirmou que a queda na atividade
econômica do Brasil é "momentânea", garantiu que a inflação está
"próxima de zero" e opinou que a economia internacional "não se
recuperou da crise", que as grandes economias "têm altos e baixos".
Candidatos
Além
de Dilma e Marina, participaram: Aécio Neves (PSDB), Pastor Everaldo
(PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB),
todos os candidatos cujos partidos possuem representação na Câmara dos
Deputados, conforme determina a Lei Eleitoral.
De acordo com as
regras acordadas entre as campanhas, os candidatos foram posicionados em
púlpitos separados. No púlpito central ficou o mediador do debate, o
apresentador Carlos Nascimento.
O programa foi dividido em quatro
blocos, com intervalos de três minutos. O primeiro foi de perguntas
livres entre os candidatos. Cada participante escolheu para quem queria
fazer a pergunta, não sendo permitido que repetisse se um candidato já
tivesse respondido a uma pergunta.
Primeiro bloco
Dilma perguntou para Marina Silva: "Você diz que vai antecipar 10% do PIB para a Educação, 10% da receita
bruta da União para a Saúde e passe livre para estudantes de escola
pública. No total, são despesas de R$ 140 milhões. De onde vai tirar os
recursos?".
Resposta: Em primeiro lugar não são
promessas, são compromissos. E esses compromissos serão assumidos a
partir dos esforços que iremos fazer, em primeiro lugar para que o nosso
país volte a ter eficiência no gasto público. Hoje nós temos um
desperdício muito grande dos recursos públicos, inclusive em projetos
que estão desencontrados. Uma outra coisa que nós vamos fazer para
conseguir os recursos é fazer com que o nosso orçamento possa ser
acrescido a partir da eficiência que teremos em relação aos tributos,
que são recolhidos da sociedade. A sociedade paga muito alto para que as
escolhas que são feitas sejam sempre feitas na direção errada.
Geralmente quando é para subsidiar o juro dos bancos, as pessoas, como
dizia Eduardo Campos, não ficam preocupadas em saber de onde veio o
dinheiro, mas quando se trata de dizer que se vai tirar 10% para a
educação, para que os nossos jovens tenham igualdade de oportunidades,
quando se diz que vai ter o passe livre, para que eles possam ter acesso
a escola, ao divertimento, aí vem essa pergunta. O que nós vamos fazer é
as escolhas corretas e não manter as escolhas erradas como vem sendo
feito.
Dilma: Candidata, quero dizer que a senhora falou, falou
mas não respondeu a pergunta de onde vem o dinheiro. Quem governa tem de
responder como vai fazer, não basta se comprometer ou prometer. O
montante prometido pela senhora, em todas essas promessas equivale a
quase tudo o que se gasta em saúde e educação, e olha que nós
triplicamos os valores que investimos em educação e quase duplicamos os
valores investidos em saúde, apesar de termos perdido a CPMF. Então,
candidata, é incrível que a senhora abandone um dinheiro garantido e
seguro, decorrente da exploração do pré-sal para ser investido na
educação e saúde, equivalente a R$ 1 trilhão
Tréplica: O
dinheiro do pré-sal, candidata, já está assegurado, e nós vamos fazer
sim o bom uso dos recursos do pré-sal, inclusive antecipando a meta em
relação à educação de tempo integral e a educação integral. O pré-sal
deve ser explorado. E nós vamos combinar com outras fontes de geração de
energia, priorizando as duas coisas. O pensamento da ideia cartesiana
de governo só consegue olhar para uma alternativa, nesse momento o mundo
caminha na direção de ter várias alternativas. O uso do petróleo como
forma de viabilizar os meios para o desenvolvimento tecnológico e o
conhecimento, e a busca de novas fontes de geração de emprego e renda
para a nossa população continuar avançando.
Eduardo Jorge pergunta para Dilma Rousseff:
"No
outro debate eu trouxe temas para o Brasil muito importantes relativos à
saúde e à violência. Quero trazer uma outra questão dessa área que
considero essencial, que é a situação dos presídios. É um quadro
dantesco, parece que estamos no campo de concentração nazista ou das
ditaduras socialistas do século passado. Presidenta, como é que doze
anos de governo do PT nós colhemos algo tão terrível como essa
barbárie?"
Resposta: Olha eu concordo com você, Eduardo, a
situação carcerária no Brasil é uma barbárie. Por isso colocamos 1
bilhão de reais pra que se financie novas penitenciárias. Mas os
governos tem dificuldades de instalar por resistência dos municípios.
Meu governo gastou mais de 17 bilhões, mais do que o dobro dos governos
tucanos. Eu quero que o governo federal atue junto com os estaduais. Uma
polícia fragmentada só beneficia o crime. Vamos fazer como fizemos com a
integração nos centros de controle, na operação das fronteiras,
operação sentinela e operação ágata.
Eduardo Jorge: Vocês
estão errados quando insistem nessa estratégia de guerra contra as
drogas, que transforma as penitenciárias em panelas de pressão. Outro
erro é investir no sistema de privação de liberdade e não nos sistemas
abertos e semiabertos. Também é preciso investir na reabilitação dos
presos.
Tréplica: Acredito que temos que mudar toda a
estratégia penitenciária. Recuperar presos é algo imprescindível. Temos
que criar linhas de educação para recuperar presos. O PRONATEC vai ter
uma linha específica para presos. Muitas vezes os presos não sabem nem a
pena que eles têm.
Luciana Genro pergunta para Aécio Neves: Fernando
Henrique Cardoso criou o fator previdenciário e desvinculou a
aposentadoria do valor do salário mínimo. Chegou a chamar os aposentados
de vagabundos. Na época, o PT foi contra, mas, quando assumiu a
presidência, não mudou o que foi feito. O que o senhor vai fazer nessa
área?
Resposta: Agradeço a pergunta. Não sou o FHC. To
pensando no caminho que estamos percorrendo. Se não tivesse havido o
presidente FHC, com estabilidade da moeda, não teríamos os outros
governos. Em relação aos aposentados, foi criado o Fator Previdenciário,
e nós estamos discutindo com os aposentados melhorias e reajustes
dignos nos salários, para que não percam seu poder de compra. Faremos
reajuste que sejam dignos.
Réplica: As propostas do PSDB
são migalhas para os aposentados. Aécio, Dilma e Marina privilegiam os
interesses dos milionários em detrimento dos interesses do povo. É
preciso valorizar aqueles que trabalharam pelo Brasil.
Tréplica: O
que nós vamos fazer é controlar a inflação e melhorar os salários. Isso
é fundamental que seja estendido até 2019, com aumento real de salário
mínimo. Por causa do governo, em 2016 não haverá aumento real do salário
mínimo.
Aécio Neves pergunta para Eduardo Jorge: Ouvimos
a presidente dizer no último debate que não se preocupa com a inflação.
De lá para cá, tivemos a notícia que o Brasil está em recessão. O
senhor se preocupa com a condução da economia no Brasil?
Eduardo Jorge: Sim,
esse é o legado que vai ser deixado para o sucessor. No nosso ponto de
vista, ao contrario de vocês do G3, nós não concordamos que o controle
de inflação deva ser feito pela BOLSA SELIC, que mantém o rentismo bem
remunerado, enquanto o comércio, indústria e trabalhadores pagam a
conta. A ideia é taxar esses investidores. A copa do mundo de juros
altos é do Brasil. Com esse dinheiro investido na indústria e comercio,
teremos crescimento.
Tréplica: Exatamente. Fico surpreso
que o Aécio concorde comigo sobre a BOLSA SELIC, que foram bastante
generosos com os 10 bancos que controlam o Brasil, que deixaram a míngua
a indústria, o agronegócio e o trabalhador brasileiro.
Marina Silva pergunta para Pastor Everaldo: Metade
dos municípios brasileiros não têm serviços de saneamento básico, coisa
que traz efeitos inclusive para a taxa de aprendizagem entre os jovens.
Como fazer para melhorar o tratamento de esgoto?
Resposta: Sabemos
que o pacto federativo está destruído. Nós vamos lutar para que os
recursos cheguem as prefeituras. Essa situação de falta de saneamento é
fato, mas nós vamos preservar a família.
Réplica: O
tratamento do esgoto melhora a vida das pessoas, melhora o meio
ambiente, a saúde e a educação. Por isso, o tratamento de esgoto é uma
prioridade do nosso programa e pretendemos fazer ações para lidar com
esse problema, fechando convênios com a iniciativa privada.
Tréplica: A
família tem sido atacada, o saneamento básico é assunto do município,
nós vamos destinar mais recursos ao município. Nós vamos fazer um novo
pacto federativo para que os municípios atendam a demanda do cidadão,
não o governo federal. Nós vamos fazer um novo pacto, aumentando os
repasses.
Pastor Everaldo pergunta para Levy Fidelix: O atual governo tem 39 ministérios e nenhum trata exclusivamente da segurança pública. Qual a sua proposta para essa área?
Resposta: Everaldo,
a Petrobras é imprivatizável, o solo brasileiro não pode ser colocado a
venda. Sobre a segurança pública, realmente é um dos maiores problemas,
se não tivermos segurança com mais investimento no aparato policial,
com condições mínimas de atuar, fica inviável. Nossos policiais andam
com um mínimo de soldo, eles ganham pouco mais de 1000 reais e esperam
muitos anos para ganhar um aumento.
Réplica: Nós temos a
proposta de fazer uma secretaria de segurança pública e pretendemos
atacar de imediato o problema da delinquência na rua. Vamos fazer um
esforço para que esse delinquente seja punido com o rigor necessário.
Tréplica: Dando
sequência, devemos botar pra frente a PEC 300 para que melhorem os
salários dos nossos policiais. Devemos privatizar as penitenciárias,
reduzir a maioridade penal, melhorar o policiamento das fronteiras,
melhorar a educação, mas aqueles que praticam a morte com apenas 16
anos, devem ser punidos com a maioridade penal reduzida.
Levy Fidelix pergunta para Luciana Genro: O governo está pagando bilhões para a dívida pública. Acha que há problema?
Resposta: É
o que nos diferencia dos candidatos. Nós temos uma situação que 40% do
orçamento do brasil vão para sustentar as 5 mil famílias mais ricas do
país. O Brasil faz há 20 anos o superávit primário, para atender o
interesse dessas famílias, dos bancos e pagamento de juros, uma política
que só beneficia eles. Os juros só consomem o nosso dinheiro. O PSOL
defende uma auditoria da dívida publica, para olhar os nossos pagamentos
e essa diferença.
Réplica: Temos problemas com
sonegadores. O Banco Central está devendo 18 bilhões, por isso não sobra
dinheiro para investir em áreas importantes. Então pretendo fazer, como
você, uma auditoria da gestão pública imediatamente.
Tréplica: Temos
problemas com sonegadores. O Banco Central está devendo 18 bilhões, por
isso não sobra dinheiro para investir em áreas importantes. Então
pretendo fazer, como você, uma auditoria da gestão pública
imediatamente.
Segundo bloco: jornalistas perguntam para um candidato e escolhem um segundo candidato para comentar, com direito à réplica.
Fernando Rodrigues (UOL) pergunta para Marina Silva com comentário de Dilma Rousseff: A
senhora recebeu mais de um milhão de reais de palestras. Mas não revela
quais são as fontes. A senhora acredita que essa clausula de
confidencialidade condiz com a nova política? Será necessário mais
transparência para conhecermos as empresas que pagaram?
Resposta: Precisa
fazer uma separação da minha vida privada com a minha vida pública. Eu
particularmente não tenho nenhum problema de que sejam reveladas as
empresas que me contrataram. Eu não vejo nenhuma incompatibilidade em
quem vive do seu trabalho e querer quebrar a lógica da política. A vida
toda eu trabalhei como professora, e quando fui parlamentar, nunca
cobrei por qualquer palestra. Eu já dei mais de 200 palestras gratuitas.
Se as empresas quiserem revelar quem me contratou, pra mim não há
problema.
Comentário de Dilma: Acho que é uma exigência
nova na política brasileira e muito importante. A questão da
governabilidade implica em transparência. Nunca deixei de fazer algo que
não fosse a favor do Brasil.
Tréplica: Em primeiro lugar, a
Receita Federal é testemunha que pago todos os meus impostos. Uma coisa
boa era fazer um comparativo entre outras lideranças políticas que,
como eu, também fazem palestras. Vamos fazer um comparativo entre as
palestras que eu dei e as outras lideranças. Eu busco a transparência e
também para os 500 milhões destinados ao BNDES que não estavam no
orçamento público.
Fernando Canzian (Folha) pergunta para Dilma Rousseff, com comentário de Marina Silva: A
economia andou para trás nesse terceiro bimestre. A maioria dos
eleitores demonstra que quer mudanças. Se a eleição fosse hoje a senhor
perderia a eleição. O eleitor segue incapaz de conhecer as vantagens das
suas propostas.
Resposta: A queda da atividade econômica
atual é momentânea. A seca e o prolongamento da crise econômica tem um
grande impacto. Nós não estamos em recessão. O mercado aumento de
emprego e salários. A economia internacional não se recuperou da crise.
Os EUA, Alemanha e Japão também estão ruim. Os EUA tiveram crescimento
negativo no primeiro trimestre. Alemanha e Japão no segundo.
Comentário de Marina: Uma
coisa importante é verificar que a candidata Dilma não consegue
reconhecer os erros. Se não reconhece os erros, não tem como repará-los.
Hoje nós temos inflação alta, baixo crescimento e uma situação de juros
altos. E a população paga um preço muito alto pelos serviços que estão
prestados. Para o governo, quando tudo vai mal, a culpa é da crise
internacional.
Tréplica: É preciso reconhecer os erros e
limitações. Propor como forma de solucionar da crise econômica, a
autonomia do Banco Central pode ser um erro. Especialistas de plantão
costumam criticar tudo, falavam que a Copa não ia dar certo, mas deu,
por causa do governo e dos Estados.
Jornalista Kennedy Alencar pergunta para Aécio Neves, com comentário da candidata Dilma Rousseff: O
caso da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição, no
governo FHC, não foi investigado pelo procurador-geral da República. O
caso do cartel dos trens em São Paulo só passou a ser investigado depois
da apuração de autoridades internacionais. O governo do PSDB é sinônimo
de impunidade?
Resposta: Ao contrário, a marca do PSDB é a
marca da austeridade. Jamais transformamos aliados do partido em heróis
nacionais. Nós temos que permitir que a Justiça faça seu trabalho. A
relação do PT não ajuda as novas gerações a entender que há justiça. Nós
vamos iniciar um novo ciclo de governança, com meritocracia, sem essa
máquina inchada atualmente. Cabe a justiça condenar e absolver aqueles
que foram processados. A partir de janeiro, o brasil vai viver um novo
ciclo.
Comentário: A Polícia Federal, no meu governo,
realizou 172 operações contra corrupção e lavagem de dinheiro. No meu
governo, aprovamos a Lei de Acesso à Informação, a Lei da Ficha Limpa e
criamos o portal da transparência. Não fizemos a prática errada de
escolher pessoas que não investigam, como o cado do procurador que ficou
conhecido como engavetador-geral da República.
Tréplica: A
presidente elenca um grande número de iniciativas de combate a
corrupção, mas nenhum deles funcionou. Todas as denúncias foram
apresentadas pela imprensa ou pela Polícia Federal. O governo da Dilma,
ao invés de permitir que as CPIs caminhem de forma adequada, ela tenta
manipular as informações.
Patrick Souza (Jovem Pan) pergunta para Eduardo Jorge, com comentário de Marina Silva: Uma
pesquisa Datafolha revela que a maioria da população é contra a
legalização das drogas e a legalização do aborto. Como o senhor defende
essas bandeiras?
Resposta: Foi uma honra estar em 2010 com a
Marina. Mas agora estamos em lados diferentes. São questões de longa
data que o PV defende. Vamos apresentar a proposta de regularizar a
maconha para que melhoremos a arrecadação, a vida dos usuários e das
penitenciárias. Também defendo o aborto.
Comentário: Em vez
de discutir o mérito das questões, as pessoas preferem partir para os
rótulos. Eu não satanizo ninguém que defende o aborto, o que quero é
fazer um plebiscito para que essas questões sejam debatidas pela
sociedade.
Tréplica: Os índices de pesquisa são
verdadeiros, mas é o retrato da covardia de políticos e lideranças
brasileiros, que omitem dados de que 600 mil mulheres morrem ao fazer
aborto clandestino. Não há coragem de discutir com o povo que existem
movimentos mais inteligentes do combate a droga.
Jornalista Fernando Rodrigues pergunta para Pastor Everaldo, com comentário de Aécio Neves: O
senhor defende valores de família. Mas o senhor é acusado por uma
mulher de agressão em ação que corre no STF. O senhor diz que a agressão
foi uma ação de legítima defesa. Quero saber qual a sua política de
violência doméstica? Quer aproveitar essa oportunidade para dizer o que
houve?
Resposta: Oportuna a pergunta. Eu tenho desejo de
manter o casamento. Fui casado 22 anos com a mãe dos meus filhos, mas
não tive êxito. Depois do meu relacionamento tive um relacionamento com
essa pessoa citada, e por unanimidade os tribunal do rio de janeiro me
livrou dessa acusação. Eu nunca agredi uma mulher, minha política é a
favor da família. Eu sou uma pessoa que luto pela família, e tenho
exemplo de como se deve tratar uma família. Nunca agredi ninguém.
Comentário: Fui
favorável à aprovação da Lei Maria da Penha, um grande marco legal para
o Brasil nessa questão. Sou a favor de desafogar os sistemas prisionais
com parcerias público privadas.
Tréplica: Quero reafirmar
meu compromisso com a família tradicional, como está na Constituição
Brasileira. Nossas famílias dependem do casamento entre homem e mulher.
Sou contra o aborto. De forma clara e coerente.
Fernando Canzian (Folha) pergunta para Luciana Genro, com comentário de Aécio Neves: A
senhora é favorável a suspender o pagamento da dívida externa, entre
outras medidas. Muitos analistas veem um pouco de animosidade entre o
atual governo e as instituições financeiras. A senhora não acha que as
suas propostas piorariam esse quadro e são populistas?
Resposta: Quando
me chamam de populista, eu sempre respondo que pra defender os
interesses do capital de bancos, já tem a Dilma, o Aécio e a Marina. Eu
defendo os interesses do povo. O povo está endividado, a Dilma aumentou a
taxa de juros por nove vezes. A maioria do povo não consegue chegar a
1.500 por mês de renda. A Marina também está comprometida com os bancos.
Comentário: Vejo
sempre com restrição aqueles que se autointitulam os defensores dos
valores do povo. Ninguém pode ter esse monopólio. Todos queremos isso,
mas temos propostas diferentes de caminho. Eu tenho um projeto para o
Brasil, de mudança, de estabilidade. Todos os compromisso que assumi são
factíveis.
Tréplica: É claro que o Aécio desconfia quando
alguém fala em governar para o povo, Porque ele governa para a Elite. O
cidadão que ele anunciou para ministro da Fazenda já esteve na equipe
econômica do pais e administrou os maiores juros do país.
Kennedy Alencar pergunta para Levy Fidelix, com comentário de Eduardo Jorge: O
senhor foi candidato dez vezes e nunca se elegeu. O seu partido vive do
fundo partidário e vive de negociações partidárias para fazer ataques
terceirizados. Como o senhor vê isso?
Resposta: Ponto fora
da curva. É típica perseguição aos partidos ideológicos e pequenos.
Sempre discuto campanha em todos os níveis, especialmente majoritárias.
Estamos com chapas em 8 Estados. Você é representante dessa mídia
vendida, que ataca a gente, vocês que atacam a gente. Isso é calúnia.
Comentário: Não
tenho nada a ver com isso. O meu partido adora democracia direta mas
não é contra a democracia representativa. Os problemas são os políticos
que encaram a política como se ela fosse carreira. Nós temos um projeto
para reabilitar a democracia representativa no Brasil.
Tréplica: Há
20 anos o partido fala do tema da mobilidade urbana, há 20 anos falamos
em aerotrem. Isso não é legenda de aluguel. Campanhas como esta, nós
sairemos mais fortes. Na próxima eleição, teremos mais chances e
oportunidades e nossa legenda certamente terá crescido.
Nos dois últimos blocos, os candidatos fazem perguntas entre si.
Dilma pergunta para Marina Silva: Jornais
têm noticiado que a senhora pretende reduzir a importância do pré-sal? O
seu programa de governo dedica apenas uma linha para o assunto. Porque
esse desprezo com esse recurso tão importante para o Brasil e tão
invejada para o mundo?
Resposta: O que nós estamos falando
no plano de governo, é que além do pré-sal, que deve ser explorado e
seus recursos aplicados corretamente, nós estamos reafirmando que vamos
explorar essa fonte de energia, no entanto precisamos ir para onde a
bola vai estar. Temos que ir atrás de novas fontes de energia, energia
eólica, solar, ignoradas no seu governo. No seu governo, o maior perigo
para o pré-sal é o que foi feito pela Petrobras, uma empresa que foi
usada politicamente para dar conta dos índices de crescimento e reduzir
os índices de inflação.
Réplica: O pré-sal é um dos maiores
patrimônios do povo brasileiro. É o nosso passaporte para o futuro.
Existem outras riquezas, mas o pré-sal está aí e deve ser usado. É mais
de um trilhão que deve ser usado.
Tréplica: Ela tenta
tangenciar os problemas que criou com a Petrobras. Empresa que paga caro
pelas escolhas que fez. Vamos utilizar para investir em energia limpa,
renovável e segura.
Luciana Genro pergunta para Marina Silva: A
receita que o governo está aplicando para a economia do Brasil está
acabando com o país. A receita dos tucanos é ainda mais dura. O seu
programa de governo adota a receita dos tucanos, inclusive os
economistas que aconselham o seu programa são tucanos. A senhora é uma
segunda via do PSDB?
Resposta: Nós teremos uma atitude de
reconhecer os ganhos históricos da realidade brasileira. Infelizmente
negligenciada por Dilma, com a inflação crescente, juros elevados e sem
estabilidade fiscal. Nós vamos recuperar o tripé-macroeconômico. Essa
visão empobrecida do debate não consegue enxergar outras alternativas.
Nós vamos manter a política econômica de FHC e as conquistas sociais de
Lula. Os programas correm risco com Dilma no governo. Vamos parar de
fulanizar as conquistas brasileiras.
Réplica: Tem que
escolher lado. Ou se está do lado do capital, ou dos trabalhadores. Ou
está do lado dos bancos ou dos trabalhadores endividados. Não se faz
nova política fechando concessões. Não durou 24 horas o seu compromisso
com o casamento igualitário e de combate à homofobia.
Tréplica: O
que eu falo, eu falo pelas minhas convicções, há uma visão equivocada
que as suas visões são por conta do seu meio. Você tem a mesma visão
daqueles que polarizam PT x PSDB, a sua diferença é que você o faz pela
esquerda. Nosso programa de governo houve um erro no processo da
formulação do plano. Nós defendemos os direitos dos seres humanos.
Marina Silva pergunta para Dilma Rousseff: Quando
foi eleita em 2010, havia um compromisso seu de que o Brasil iria
continuar crescendo, de que os juros ficariam baixos e de que a inflação
ficaria controlada. Hoje vivemos uma situação de muitas famílias
endividadas. O que deu errado no seu governo?
Resposta: O
que deu certo no meu governo é que tiramos 36 milhões de pessoas da
pobreza e elevamos 40 milhões para a classe média. Há uma contradição de
uma política macroeconômica ligada a interesses de arrochar salários,
aumentar tarifas e atender interesses. O cobertor é curto. Sem apoio
político, sem discussão e sem negociação, a Sra não consegue aprovar os
grandes programas do Brasil. Eu apostei na governabilidade, nunca
negociei os interesses do Brasil. Ganhei e perdi, mas sem apoio do
Congresso Nacional, é impossível governar. Quem escolhe os bons, é o
povo brasileiro, por meio da eleição.
Réplica: Exatamente o
que eu disse já mais de uma vez. A presidente Dilma tem muita
dificuldade em reconhecer os erros do seu governo. Nós defendemos sim a
autonomia do Banco Central porque esse governo, com atitudes erráticas,
não ajuda a resolver os problemas.
Tréplica: Frases de
efeito e frases genéricas. Quando você é presidente, você precisa se
explicar, não basta dizer que vai fazer uma lista de coisas sem dizer de
onde virá o dinheiro. Ainda falta muita coisa pra fazer no Brasil, eu
sei disso porque eu tentei fazer.
Levy Fidelix pergunta para Aécio Neves: Como
nós vamos resolver a questão dos grandes congestionamentos das
metrópoles brasileiras? Como lida com a questão da mobilidade urbana?
Resposta: Esse
é um tema caro para todo o país. Fazer parceria com Estados e
municípios. O governo atrasou as parcerias e repasses. Os trens e
transporte só habitam o programa eleitoral do PT. Depois de 12 anos de
governo, a grande maioria das obras de mobilidade não está pronta. Temos
que pensar em sustentabilidade. A mobilidade sobre trilhos é um
caminho, que serve para São Paulo, mas não serve para outros lugares do
país.
Réplica: Nosso partido sempre defendeu, ao longo de
vinte anos de existência, essas bandeiras. O aerotrem, nós havíamos
proposto: PRTB, Levy Fidelix. E sabemos que essa questão de transporte
de cargas e transporte de passageiros é uma questão muito cara para nós.
Tréplica: O
ativo mais valioso da política é o tempo. O governo do PT perdeu um
longo período que poderia fazer esses investimentos, parcerias com o
setor privado é fundamental. Hoje, o marco regulatório do setor
ferroviário sequer foi aprovado. Rodovias, ferrovias, hidrovias, está
tudo atrasado, isso está sendo muito caro para todo o Brasil.
Aécio Neves Pergunta para Dilma Rousseff: Volto
ao tema da segurança pública. Nada mais aflige as famílias brasileiras.
A senhora considera que segurança pública seja de responsabilidade da
União?
Resposta: Acho que você tem memória fraca. O Governo
Federal deu apoio financeiro para MG, para construção de muitos
presídios. Além disso, sua memória é tão fraca, que no caso do
transporte público, o sr esquece que temos parceria com o Estado de MG
em todas as obras de mobilidade urbana do Estado. Por exemplo, o Metrô
de BH, o monotrilho de SP só foi realizado graças a financiamento do
governo federal. Além disso temos 9 metrôs em capitais do país. Temos
trens metropolitanos, VLTs, Monotrilhos e 189 BRTs.
Réplica: Quem
liga nesse debate vai achar que está vendo um debate de quatro anos
atrás. São as mesmas propostas de quatro anos atrás. O governo da
senhora agora sucumbe à necessidade de fazer parcerias com empresas
privadas, mas não avançou como poderia.
Tréplica: Eu vou
repetir, não é uma questão trivial. 143 bilhões foram colocados a
disposição para que as pessoas tenham tempo, transporte seguro, rápido e
tempo para ficar com a família e desfrutar da família. O governo
federal, pela primeira vez, investiu pesado na mobilidade urbana, talvez
não saiba, mas as obras de MG foram feitas com recursos federais.
Eduardo Jorge pergunta para Aécio Neves: Fiquei intrigado que o senhor defende baixar a taxa de juros básicos para os mesmos níveis que o PV defende. É isso mesmo?
Resposta: Caro
Eduardo, concordei com o diagnóstico que você fez, mas eu quero poder
fazer isso, que os juros praticados pelo BNDES possam ser praticados por
toda a economia. Existe uma proposta oficial, uma proposta de governo
que esta aí, fracassou e mais de 70% da população quer mudança, nosso
papel é mostrar qual é a mudança. Eu não estou me convertendo a teses
que eu combatia no passado. Eu quero me comprometer com as teses que
permitam investir no país.
Réplica: Não ouvi o que queria?
Vai baixar os juros de 11% para 5% ou 6%? E vai redistribuir esse
dinheiro que está na mão dos bancos e melhorar a vida dos trabalhadores?
Tréplica: Eu
tenho confiança que no momento da nossa vitória, um momento de
confiança vai voltar a existir. Os brasileiros não acreditam mais na
capacidade deste governo de resgatar a confiança na economia. Este é o
primeiro passo, para que recuperemos os investimentos e baixemos as
taxas de juros.
Último bloco é dedicado às considerações finais:
Eduardo Jorge : Agradeço
pelo debate. Este um minto que tenho agora é o mesmo que eu tenho na
TV. É pouquíssimo para defender as nossas teses. Criamos um programa do
PV, para continuarmos na internet ao vivo após o nosso minuto no horário
eleitoral, para apresentar as teses inovadoras do PV.
Marina Silva: Eu
tenho dito que quem vai ganhar não são as velhas posturas, mas as novas
posturas, de estar aberto ao diálogo, de estar aberto às ideias, é
fundamental que cada brasileiro não perca as esperanças. Eu tenho dito
que não sou pessimista nem otimista, eu sou persistente. Eu quero ser
presidente do Brasil para que você volte a participar da política.
Levy Fidelix: os
movimentos sociais de junho do ano passado demonstraram a insatisfação
do povo. Temos a oportunidade de discutir a saúde, os médicos. Queremos
mudanças de um sistema em que os grandes bancos levam todas as riquezas
do povo. Me sinto vitorioso mesmo se não vencer a eleição. Digo ao povo:
ou mudar ou mudar.
Dilma: Agradeço aos
organizadores. Quando defendo as realizações do meu governo, dá a
entender que estou satisfeita, mas não estou. Preparamos o Brasil para
um novo ciclo de crescimento, para ser mais competitivo, para sermos
cada vez mais um país de classe média. Fui eleita para garantir saúde,
educação e segurança. E quero ser reeleita para isso novamente. Quero
ser reeleita, eu acredito no Brasil e nos brasileiros.
Aécio Neves: Cumprimento
os organizadores e os demais candidatos. Ficou absolutamente claro que
temos dois campos políticos. O do governismo, que recebeu o governo
melhor do que vai entregar. Depois temos o campo das mudanças, com
várias alternativas. Respeito a candidata Marina, mas ela não consegue
superar as contradições em seu projeto. Eu sou o candidato que
representa a mudança segura, em que se sabe onde ela vai nos levar.
Luciana Genro: As
lutas do nosso povo, principalmente da juventude, mostra que todos
querem mais direitos. Não se aceita mais a criminalização da nossa
juventude nem meios direitos para a sociedade LGBT. Nós pedimos uma
chance para a esquerda coerente. O PSOL tem a melhor bancada do
Congresso. Direitos humanos não se negocia, direitos sociais não se
entrega. É preciso ter lado, nós estamos ao lado do povo e pedimos o seu
voto, 50.
Pastor Everaldo: Minha irmã e meu irmão
brasileiro, encerro agradecendo a rede que nos colocou nesse debate.
Defendo a vida do do ser humano, desde a concepção. Sou contra o aborto,
sem necessidade de plebiscito. Sou contra a legalização das drogas.
Acho que casamento é entre homem e mulher. Defendo o Estado mínimo. Sou
favorável à livre concorrência e à liberdade de imprensa sem marco
regulatório.
Fonte: Jornal do Brasil
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