O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar
dois terços, algo como 66%, de todo o investimento no plano de
concessões de portos e aeroportos, a ser lançado pelo governo em breve. A
informação é do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que esteve nesta
quinta-feira em Brasília, onde participou da solenidade de lançamento
do Plano Safra da Pesca e Aquicultura.
Segundo ele, a
decisão do banco é "participar pesadamente do financiamento das
infraestruturas de logística" do País. Isso inclui as obras em rodovias e
ferrovias. "Deveremos financiar um porcentual importante, dois terços
em média, de todo o investimento em portos e aeroportos", disse. "São
infraestruturas que têm um prazo de maturação relativamente longo e
demandam um crédito de longo prazo", explicou.
Para ampliar
a oferta de recursos, o BNDES prepara o lançamento de debêntures no
mercado em 2013, 2014 e 2015. O objetivo, segundo ele, é captar entre R$
40 bilhões e R$ 50 bilhões. "Acho que o potencial de emissão de
debêntures para infraestrutura é muito grande, já a partir do próximo
ano", afirmou. A abertura valerá para investidores estrangeiros, mas o
financiamento terá de ser em reais. "Nossas infraestruturas faturam em reais e não pode ter um descasamento de moedas", explicou.
A
primeira etapa do programa de logística, lançada em agosto pela
presidente Dilma Rousseff, trata das concessões de ferrovias e rodovias,
que receberão um aporte de R$ 133 bilhões do banco em 25 anos. Agora
será a vez dos portos e aeroportos. O plano tem por objetivo incentivar
investimentos públicos e privados na infraestrutura do País.
Os
termos das debêntures a serem lançadas, segundo Coutinho, já foram
parte da lei 12.431. "Essa lei foi aperfeiçoada e estamos em tratativas
com bancos de investimento e fundos de pensão, de maneira a tornar esse
um instrumento de mobilização de poupança e de compartilhamento do
financiamento de longo prazo junto com o BNDES", informou.
Ele
ponderou que, com a queda da taxa de juros, os títulos do Tesouro
passaram a oferecer rendimento mais baixo. Assim, tanto os fundos de
investimento - para remunerar seus cotistas, quanto os fundos de pensão,
precisam realizar metas de rendimento mais alta. "E não há nada melhor
do que os investimentos em infraestrutura", garantiu.
Segundo
Coutinho, esses segmentos podem oferecer retorno com perfil de longo
prazo com risco relativamente baixo. "O prazo dessas debêntures tem de
ser no mínimo de 4 anos. Mas, idealmente, essas debêntures têm de ser
compatíveis com prazos de investimento", explicou. Como esses
investimentos têm maturidade mínima de 15 ou 20 anos, acrescentou, "nós
gostaríamos que essas debêntures ajudassem com prazos de pelo menos 10
anos. Elas precisam ter prazos longos, senão todos os investimentos de
longo prazo ficam por conta do BNDES, que já está sobrecarregado",
completou.
Fonte: O Povo Online.
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