Um estudo divulgado nesta sexta-feira (26) pela Federação das
Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) mostra que o Ceará possui a 16ª
tarifa industrial de energia mais cara do Brasil, R$ 316,5/mega watts
(Mwh).
Uma análise das tarifas de consumo de energia elétrica industrial feita
com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) referentes às
27 unidades da federação mostra que a tarifa média de energia elétrica
para a indústria no Brasil é de R$ 329,0/Mwh, com diferença de 63% entre
o estado mais caro (Mato Grosso) e o mais barato (Roraima). Ainda
assim, a tarifa do Ceará é menor do que a média brasileira e nordestina,
de R$ 334,3/Mwh.
|
Estado
|
Tarifa
|
|
Mato
Grosso
|
419,2
|
|
Tocatins
|
373,2
|
|
Minas
Gerais
|
372,4
|
|
Bahia
|
365,2
|
|
Rio de
Janeiro
|
356,7
|
|
Espírito
Santo
|
350,0
|
|
Mato
Grosso do Sul
|
346,9
|
|
Pernambuco
|
345,4
|
|
Santa
Catarina
|
341,7
|
|
Maranhão
|
338,2
|
|
Rodônia
|
334,2
|
|
Rio
Grande do Sul
|
331,0
|
|
Pará
|
326,6
|
|
Amazonas
|
317,3
|
|
São
Paulo
|
317,3
|
|
Ceará
|
316,5
|
|
Sergipe
|
313,5
|
|
Rio
Grande do Norte
|
306,8
|
|
Amapá
|
305,6
|
|
Paraná
|
301,3
|
De acordo com Jurandir Picanço, consultor de energia da Fiec, a
expectativa é de que com a desoneração da tarifa de energia elétrica
anunciada pelo governo federal e que deverá entrar em vigor até
fevereiro de 2013, o custo da tarifa industrial da energia, no Ceará
caia de 20 a 25%. Segundo ele, o custo de produção da energia no Brasil é
um dos mais baixos do mundo, mas a carga tributária e os encargos
setoriais são elevados. "Se, por exemplo, o ICMS fosse retirado, a
tarifa de energia ficaria 36% mais baixa".
Na composição da tarifa de energia do Ceará, segundo a Aneel, as perdas
técnicas e não técnicas correspondem a 0,9% do total, os tributos
federais e estaduais (PIS/Cofins e ICMS) representam 30,6%, os encargos
setoriais são responsáveis por 18,9% do total e os custos de geração.
Distribuição e transmissão representam 49,6% do total da tarifa.
Em média, as despesas com energia elétrica e combustíveis representaram
2,9% dos custos da indústria no Brasil, segundo a Pesquisa Industrial
Anual (PIA), de 2010. O peso é maior em setores onde o uso da energia é
mais intenso.
De acordo com a Aneel, a composição da tarifa industrial de energia
elétrica está dividida em dois grupos distintos. O primeiro, inclui os
custos de geração, transmissão e distribuição, além das perdas técnicas e
não técnicas. O segundo é diretamente relacionado à tributação, seja na
forma de encargos setoriais, seja na forma de tributos federais e
estaduais (PIS/COFINS e ICMS). Os custos do primeiro grupo - geração,
transmissão e distribuição - representam 50% da composição da tarifa de
energia elétrica industrial no Ceará e no Brasil.
Para a Fiec, mais importante do que observar as diferenças regionais é
avaliar a competitividade das tarifas de energia cobradas no Brasil,
frente às tarifas dos demais países do mundo.
Considerando apenas os países da América Latina, o Ceará apresenta
também menor competitividade com uma tarifa 60% superior à média da
praticada por Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Equador, México,
Paraguai e Uruguai (R$ 197,5 /MWh), onde apenas o Chile possui uma
tarifa maior.
Em comparação com o Brasil, os países vizinhos possuem tarifas
inferiores à média do Brasil. Quando comparada com países que formam o
BRIC - Brasil, Rússia, Índia, China - que se destacam no cenário mundial
como países em desenvolvimento, as indústrias instaladas no Ceará
pagam, em média, 246% a mais do que na Rússia, 122% a mais do que na
China e 68% a mais do que na Índia. Comparativamente a média brasileira,
a diferença de tarifas para com esses países é ainda maior: 259%, 131% e
75%, respectivamente.
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