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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Diário lança Atlas do Mercado de Trabalho

Formalização, desemprego, oferta e demanda de trabalho e jornada são alguns dos temas da publicação

O Diário do Nordeste lança hoje, encartado em todos os exemplares, o Atlas do Mercado de Trabalho Cearense, que analisa a evolução do setor entre os anos 2000 e 2010, quando os dois últimos censos demográficos foram realizados. O material é fruto de uma parceria entre o Jornal e o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), vinculado à Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social (STDS). Os principais temas abordados são: as oportunidades que surgiram, a redução do desemprego, a oferta e a procura por emprego, o avanço dos postos com carteira assinada, o trabalho infantil e o deslocamento dos empregados até o serviço e outros. Um dos diferenciais, inclusive, é a municipalização dos dados colhidos.

Jornada de trabalho

Um dos destaques do levantamento é a pesquisa a respeito da jornada semanal de trabalho. A publicação revela que cada vez menos cearenses estão trabalhando, por semana, mais do que a quantidade máxima de horas permitida por lei (44 horas). Em 2010, de todos aqueles que desempenhavam algum de tipo de atividade econômica (3,3 milhões), 29,1% passavam, por semana, 45 horas ou mais no serviço, enquanto, 10 anos antes, essa proporção era de 40,6% (de um total de 2,5 milhões).


A publicação está encartada em todos os exemplares da edição de hoje do Jornal. Objetivo é comparar dados do setor entre os anos 2000 e 2010 FOTO: REPRODUÇÃO

Para o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), essa redução pode ser explicada principalmente pelo significativo aumento de profissionais formalizados no Estado, que, no ano 2000, representavam 22,8% dos ocupados, e, em 2010, alcançaram a fatia de 32%.

"De lá pra cá, muitas profissões foram regulamentadas e isso contribuiu para que as jornadas fossem mais respeitadas pelos patrões, no entanto, o que tem acontecido é que, enquanto a quantidade de horas diminui, a intensidade da produção aumenta, como é no caso dos operadores de telemarketing, que trabalham no máximo seis horas diárias, porém, são muito exigidos", avalia o coordenador de Estudo e Análise de Mercado do IDT, Erle Mesquita.

Joana D´arc Almeida, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Ceará (CUT-CE), ainda atentou para a diminuição de rendimentos. "É comum que, quando há redução das horas, também há redução do salário, pois é mais interessante para os patrões. E isso não tem sido feito de forma compatível", diz. "O importante da luta contra jornadas abusivas é que o trabalhador possa ter um tempo livre, não só para aproveitar mais com a sua família, mas também para se qualificar", argumenta.

A redução no Ceará acompanhou o ritmo do País, que, nesse mesmo intervalo de tempo, apresentou uma queda de 44% para 28% dos ocupados.

Regulamentação

O reconhecimento legal de diversas profissões entre 2000 e 2010 permitiu que mais profissionais deixassem de trabalhar 45 horas ou mais por semana. Este é o caso dos instrutores de trânsito, mototaxistas, enólogos, etc. No entanto, foi somente há dois meses que a categoria dos comerciários (vendedores, balconistas, atendentes, etc), a que mais sofre com isso, conseguiu a sua regulamentação.


A publicação revela que cada vez menos cearenses estão trabalhando, por semana, mais do que o permitido por lei (44 horas). Essa fatia, nos anos 2000, era de 40,6%. Dez anos depois, ela caiu para 29,1%FOTO: KID JÚNIOR

Segundo dados do IDT, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), cerca de 58% destes trabalhadores passam 45 horas ou mais no serviço semanalmente. A média, de acordo com a entidade, é de 46 horas.

A evolução do mercado cearense, inclusive, pode ser conferida por município. Segundo um levantamento feito pelo IDT, com base nesses dados do IBGE, 55 das 184 cidades cearenses, em 2000, possuíam uma taxa igual ou superior a 40% de pessoas ocupadas que ultrapassavam a quantidade de horas permitida. Dez anos depois, esse número caiu para apenas seis.

Fonte: Diário do Nordeste.

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