Campanhas tentam conscientizar para gravidade do problema,
especialmente em relação ao quadro doméstico
Dados divulgados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência
da República mostraram que 77% das denúncias registradas por meio do
Disque 100, entre janeiro e novembro deste ano, são relativas à
violência contra crianças e adolescentes, o que corresponde a 120.344
casos relatados. Isso significa que, por mês, ocorreram 10.940
agressões, o que dá média de 364 denúncias por dia. As informações são
da Agência Brasil.
Já o Disque Denúncia 181, serviço
criado em 2000 pelo Instituto São Paulo contra a Violência e pelo
governo paulista, por meio da Secretaria de Segurança Pública, registrou
6.603 denúncias de maus-tratos contra crianças entre janeiro e outubro
deste ano em todo o estado, média diária de 22 denúncias. O número é
superior ao do mesmo período do ano passado, quando foram registradas
6.028 denúncias.
Explicações
Para Ariel
de Castro Alves, presidente da Fundação Criança e vice-presidente da
Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), é difícil deduzir, por esses números, se os casos de
violência envolvendo crianças e adolescentes têm crescido ou se as
pessoas estão denunciando mais. “É difícil medir se os casos estão
aumentando. Na verdade, a sociedade está muito mais alerta e mais
atuante diante de casos de abusos e de violência contra crianças e
adolescentes. As pessoas estão denunciando menos coniventes e omissas”.
Nenhum
dos dois serviços de denúncia contabiliza quantos desses casos
registrados referem-se especificamente à violência doméstica. Mas
sabe-se que o número é grande. “Hoje, temos muitas vítimas de violência
doméstica. De maus-tratos e de espancamento”, disse Maria Aparecida
Azevedo, que coordena as três casas de acolhimento da Fundação Criança,
uma organização municipal focada na defesa e na garantia de direitos de
crianças e adolescentes, que funciona em São Bernardo do Campo (SP).
“Os
casos que chegam para nós são de abuso sexual, de criança negligenciada
e abandonada e de criança queimada e espancada. Essa é a violência
doméstica que está vindo para as casas de acolhimento”, explicou Maria
Aparecida.
A violência doméstica pode gerar traumas para as
crianças e os adolescentes, disse Alves. “Muitas vezes, elas (crianças e
adolescentes) são vítimas daquelas pessoas em quem confiam, que
entendem ser as pessoas que cuidam delas. Por isso, há dificuldade para
assimilarem uma situação desse tipo. Esse é o trauma maior. A pessoa que
tinha que proteger é a que acaba violando o direito dessas crianças e
adolescentes”, disse.
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Especialistas
consideram que aumento nos registros pode ser um sintoma de avanço, ao
mostrar que a sociedade está mais disposta a denunciar os abusos
contra crianças e adolescentes. Ou seja, não necessariamente o quadro
piorou
Fonte: O Povo Online.
Nenhum comentário:
Postar um comentário