"Álcool, por favor”. Não é novidade para praticamente ninguém
que a frase acima, dita pelos motoristas na hora de escolher o
combustível, está cada vez mais rara nos postos cearenses. Contudo, o
que poucos sabem é que a maior parte do etanol consumido no
Estado é por meio da mistura na gasolina e não propriamente pela preferência de se utilizar o biocombustível.
Estado é por meio da mistura na gasolina e não propriamente pela preferência de se utilizar o biocombustível.
Por mais paradoxal que seja, foi escolhendo a gasolina e
preterindo o álcool na hora de abastecer que se vendeu mais etanol, no
Ceará, em 2012 (Foto: Waleska Santiago)
Apenas 3 de cada 10 litros de álcool comercializados, no Ceará,
em 2012, foram vendidos diretamente na bomba de etanol. Isso
representou o montante de 93,4 milhões de litros dos 317,5 milhões
consumidos, no ano passado, no território cearense.
A maioria mesmo (224,1 milhões de litros de álcool) foi repassada
dentro da mistura de 20% da gasolina comum, que teve, em igual período, a
demanda recorde, no Estado, de 1,120 bilhão de litros. Os dados estão
disponíveis no site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Por mais paradoxal que seja, foi escolhendo a gasolina e preterindo o álcool na hora de abastecer que se vendeu mais etanol, no Ceará,
em 2012. Para se ter uma dimensão dessa realidade, o consumo do
biocombustível no Estado através da composição na gasolina no ano
passado foi maior que a soma de tudo que fora comercializado diretamente
nas bombas de etanol do último biênio (2011 e 2012).
De acordo com o assessor de Economia do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Ceará (Sindipostos-CE), Antônio José Costa,
a tendência é que essa tendência se fortifique, a partir de maio.
“Hoje, a cada 5 litros de gasolina vendidos, um é de etanol. Com a
ampliação na mistura, já anunciada pelo governo, de 20% para 25%, vamos
voltar a ter um litro de álcool a cada quatro de gasolina”, projetou,
referindo-se ao percentual anterior da mistura adotado desde 2007 e
modificado no fim de 2011 por causa da safra insuficiente de dois anos
atrás.
Segundo Costa, a mistura é um elemento dentre diversos fatores
responsáveis pelo elevado valor do biocombustível para o consumidor
final. “Nos últimos quatro meses, houve um aumento de aproximadamente
30% no preço do etanol. O valor de compra já está em R$ 2,22 e R$ 2,23.
Mas como a maior parte da venda é pela gasolina dificilmente esse
panorama vai mudar”, observou Costa.
Preços diferentes do mesmo produto na Capital
O levantamento mais recente da ANP identificou que a variação do preço de compra do etanol em Fortaleza, por exemplo, foi de R$ 1,94 (posto de bandeira Branca) a R$ 2, 22 (da Petrobras). Isso influenciou na diferença de preço no valor final ao consumidor de R$ 2,190 a R$ 2,399 na Capital cearense, na semana passada.
Conforme o Sindipostos-CE, não há anormalidade nessa variação.
“Diferente da gasolina, que tem somente uma fonte, a Petrobras; existem
várias usinas com preços diferentes. Além disso, como demora a acabar
cerca de um mês cada tanque no posto em virtude da pouca venda, é mais
fácil ter preços velhos e novos de álcool em locais distintos”,
explicou.
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