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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Assistência na luta contra a vulnerabilidade juvenil

Prefeitura promete inaugurar os outros dois Cucas até setembro. Mais seis mil jovens serão beneficiados

Apesar das deficiências, carência de equipamentos e políticas direcionadas, o poder público não é só ausências. Em busca de driblar a vulnerabilidade, a juventude de Fortaleza encontra pelo caminho o apoio em projetos sociais, educacionais, esportivos e no setor de capacitação. Como exemplo, podemos citar o Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca), o Programa de Crédito Solidário para a Juventude (CredJovem), e também o Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária (ProJovem).

Reullisson 18, é campeão de kung fu na categoria amador
fotos: Marília Camelo

Meninos e meninas que antes só tinham como companhia as ruas e a vulnerabilidade dos bairro onde moram encontram no Cuca esporte, arte, formação profissional e a esperança de um futuro melhor. O equipamento, localizado na Barra do Ceará, bairro que acolhe 22.577 jovens entre 15 e 29 anos, oferta atividades para cerca de 3 mil pessoas nesta faixa etária.

No entanto, apesar dos benefícios gerados nos últimos anos pelo projeto, cerca de 6 mil jovens que moram nos bairros Mondumbim e São Cristovão poderiam ser beneficiados da mesma forma que os da Barra do Ceará, se não fosse o atraso da obras. Os equipamentos, que deveriam ter sido entregues na gestão anterior da Prefeitura de Fortaleza, foram assumidos pela atual, a qual promete inaugurar os mesmos até setembro.

Carla da Escóssia, coordenadora dos Cucas, acrescenta que, além da conclusão das duas unidades, a expectativa é que, ainda neste ano, comece a ser construído um Cuca da Avenida Borges de Melo, no bairro Vila União. “O Cuca atua em algumas brechas que impedem a inserção desses jovem no mercado de trabalho. E essa gestão deseja ampliar essa perspectiva. Outra porta de entrada por onde circulam, diariamente, mais de mil jovens é o esporte, temos campeões em diversas categorias e modalidades”, ressalta Carla da Escóssia.

Esperança no esporte

Foi por meio desta oportunidade que o jovem A.T., 17, conseguiu enxergar um futuro longe das drogas e da criminalidade. O estudante mora no bairro Autran Nunes, mas diante da ausência de equipamentos de lazer no local, ele é obrigado a passar uma hora e vinte minutos, quatro vezes por semana, entre as viagens de ida e de volta, dentro de um ônibus até o Cuca da Barra do Ceará.

A.T. conta que sonha em ser goleiro e, apesar de ter procurado vaga em vários times, foi no Cuca que encontrou seu lugar. E é por meio do esporte que o jovem foge de um trágico destino que levou à morte três tios. “Minha mãe tem quatro irmãos, três deles foram assassinados por terem envolvimento com o tráfico de drogas. O outro ainda está nessa vida”, diz. Mas, diante de tanta tristeza, o adolescente prometeu para a mãe que ia ter um destino diferente. “Vou ser jogador de futebol profissional, quero que minha família sinta orgulho do que faço”, diz.

História semelhante é vivida por Reullisson Oliveira, 18. Atleta de kung fu do Cuca, na categoria amador, ele é campeão cearense e vice-campeão brasileiro. Morador da Barra do Ceará, o estudante confessa que viu no esporte uma porta para o futuro. “O kung fu me tirou do ócio das ruas, da vulnerabilidade, da possibilidade do envolvimento com drogas. Já me ofereceram, mas eu nunca aceitei. Para o futuro, sonho em ser um atleta profissional e participar de uma olimpíada”, ressalta.

Qualificação

Para aqueles jovens que têm o sonho de abrir seu próprio negócio, a Prefeitura de Fortaleza oferece o Programa de Crédito Solidário para a Juventude (CredJovem). A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), já financiou R$ 4 milhões, em 348 projetos.
José Eugene Eleutério da Silva, coordenador de Qualificação Profissional, Econômica e Criativa da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Juventude de Fortaleza, explica que o projeto é disponibilizado por meio de editais e, desde 2005, já foram publicados cinco. Ainda de acordo com ele, um novo edital deve ser publicado neste ano.

Ele ressalta que os investimentos variam desde uma lojinha de roupas, passando por lan houses, lanchonetes e facções. Para participar, o interessado precisa estar vivendo em uma situação de vulnerabilidade e apresentar projeto em um grupo de no mínimo de três pessoas e no máximo cinco. “Muitos jovens que montaram o seu negócio já empregam outros jovens e proporcionam desenvolvimento para as regiões onde moram”, diz.

Educação

Outro problema na vida da juventude que vive em condições vulneráveis é a evasão escolar e a falta de oportunidades de emprego. Na tentativa de sanar esta situação é que entra o Projovem. O programa federal é desenvolvido em Fortaleza desde 2005, e já beneficiou 25 mil jovens de 15 a 29 anos.

O público-alvo são as pessoas que sabem ler e escrever, mas não concluíram o ensino fundamental. Segundo Selene Penaforte, coordenadora do Projovem na Capital, os objetivos específicos são a reinserção dos jovens no processo de escolarização, a identificação de oportunidades potenciais de trabalho e a capacitação da juventude da Capital.

Ela explica que o Programa é desenvolvido em um período de 18 meses consecutivos, sendo concedido aos jovens participantes um auxílio financeiro de R$ 100,00 por mês, pago pelo governo federal, desde que tenham frequência de no mínimo 75% e cumpram com atividades pedagógicas obrigatórias.

“O programa vai além da educação e oferece em seus módulos capacitação profissional. Portanto, o jovem, além de concluir os estudos, pode sair de lá com um emprego”, analisa. Segundo Selene, atualmente, encontram- se frequentando regularmente o Programa 2.125 alunos, e os cursos são ofertados nas seis Secretarias Executivas Regionais (SERs)de Fortaleza.

Novidades

Segundo Élcio Batista, titular da Coordenadoria da Juventude, os projetos não param por aí. A expectativa é ampliar o número de vagas para capacitações e inaugurar um equipamento chamado Usinas Criativas e Sustentáveis. Ele explica que essas usinas são espaços que devem ofertar cursos educacionais e de formação profissional.

Para quem quer abrir o próprio negócio, a Prefeitura disponibiliza o CredJovem. O programa é ofertado por meio de editais. Para participar, o jovem deve viver em situação de vulnerabilidade e apresentar projeto Foto: Fabiane de Paula

A expectativa, segundo Élcio, é construir as três primeiras Usinas nas Secretarias Executivas Regionais I, V e VI, áreas que, conforme ele, concentram maior quantidade de jovens pobres e extremamente pobres.

Os núcleos devem ofertar aulas de gastronomia, moda, tecnologia e informática. O início da construção destas unidades, de acordo com o coordenador, está prevista ainda para este ano. “A ideia é começar pela regionais mais pobres, onde os jovens estão mais vulneráveis, mas o nosso desejo é expandir esse projeto para toda a Cidade”, destaca.

Integração

Outro projeto que deve ser concluído, até junho deste ano, é a Rede de Proteção e Oportunidade (Rede POP). O objetivo é reunir todas as entidades que trabalham com a juventude, sejam elas públicas ou privadas, fazendo uma integração entre os programas e projetos.

“A intenção é de assistir a juventude em todos os aspectos, fazendo com que os jovens tenham acompanhamento continuado. Uma pessoa que recebe alta do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) deve seguir diretamente para outro projeto da rede, assim, evitamos que ele volte para as drogas”, comenta.

Élcio explica que as entidades irão assinar um termo para entrar na rede e ressalta que a iniciativa deve o financiamento de novas instituições voltadas para a juventude por meio de editais. “A ideia é que a Rede POP comece a funcionar no início de junho, e com isso teremos um fluxo maior de proteção social e oportunidades para os nossos jovens”, diz.

Estatuto da Juventude

Uma ação que, segundo Élcio Batista, fortalece as políticas públicas voltadas para os jovens de todo o Brasil, é a aprovação do Estatuto da Juventude. Para ele, o documento, que tramita desde 2004 e deve passar a valer ainda neste ano, retira a faixa etária de 15 a 29 anos da Constituição, e coloca o público em pauta, tornando o debate mais visível.

“O Estatuto é uma forma de garantir direitos e recursos financeiros dentro dos organismos públicos. Acredito que, se ele for aprovado ao longo deste ano, será uma grande conquista para os jovens e também para o poder público. O Brasil investe pouco e mal na juventude. Com a aprovação do documento, teremos oportunidade de criar um País melhor para os nossos jovens e, consequentemente, menos violento e mais estável financeiramente”, avalia.

Mais Informações

Cuca Che Guevara
Av. Presidente Castello Branco, 6417 - Barra do Ceará
Contatos (85) 3237-4688
Público: 15 a 29 anos

Karla Camila 
Repórter 

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