O projeto social “Educação e Saúde na descoberta do aprender”,
iniciativa da Universidade de Fortaleza (Unifor), em parceria com os
Institutos do Rim e de Doenças Renais, e com o Centro Integrado de
Diálise, foi destaque na edição do Jornal Nacional da última
quarta-feira (26). A reportagem do jornalista Alessandro Torres, da TV
Verdes Mares, abordou a importância da iniciativa que, desde 2001,
beneficia centenas de pacientes que passam por hemodiálise.
As atividades do Projeto são focadas em dois objetivos: suprir a
deficiência na formação escolar e amenizar, por meio de exercícios
lúdicos, o sofrimento dos pacientes. Durante o processo, eles têm aulas
de Português e Matemática, além de atividades artísticas ministradas por
20 alunos que estão entre o 3º e o 7º semestre dos cursos de
Psicologia, Publicidade e Propaganda, Belas Artes, Jornalismo e
Audiovisual e Novas Mídias da Unifor.
Aprendizado
As aulas são ministradas nas próprias clínicas de tratamento, durante
o tempo em que os pacientes permanecem ligados à máquina de
hemodiálise, ou seja, quatro horas, durante três vezes na semana. O
projeto atende, atualmente, cerca de 120 pacientes, que compreendem
jovens e adultos. Por meio do “Educação e Saúde na Descoberta do
Aprender”, eles veem a clínica não só como um espaço de saúde, mas
também de aprendizado e uma extensão da sala de aula.
As atividades lúdicas, que também são disponibilizadas aos pacientes,
influenciam positivamente não somente a autoestima, mas funcionam,
ainda, como agente na tentativa de melhorar a reação de cada um deles ao
tratamento, tornando o processo menos doloroso.
Ao todo, já foram beneficiadas aproximadamente 400 pessoas. Na
opinião da coordenadora do projeto, Hermínia Lima, a divulgação do
trabalho é importante para que a sociedade veja que os pacientes são
tratados com respeito e beneficiados de uma maneira única com esse
trabalho. “É um exercício em que os dois lados aprendem e ganham: alunos
e pacientes”, afirma.
O vice-reitor destaca, também, que a iniciativa “Educação e Saúde na
Descoberta do Aprender” já recebeu diversos prêmios pela contribuição
social que leva aos pacientes. O projeto é realizado por meio da
Vice-Reitoria de Extensão da Universidade de Fortaleza e é viabilizado
pela Fundação Edson Queiroz.
Formação cidadã
Para o vice-reitor da Unifor, Randal Pompeu, o projeto merece
atenção, porque beneficia não apenas o paciente, mas o aluno que, ao
ministrar aulas em clínicas, é formado como profissional e,
principalmente, cidadão. “Ao entender a importância do seu papel social,
o aluno também pode aprender, por meio do que ensina, com os pacientes
que estão em tratamento”, afirma o vice-reitor.
Os acadêmicos que atuam no projeto passam por um treinamento
constante. Antes de iniciar o processo pedagógico com os pacientes, eles
recebem uma capacitação em questões de higiene hospitalar e diversos
cuidados e comportamentos que devem ser adotados em um ambiente
hospitalar, tudo para contribuir, ao máximo, com o bem-estar dos
pacientes. Dessa maneira, na visão de Pompeu, todos saem ganhando. Ainda
conforme relata o vice-reitor, são muitos os depoimentos dos pacientes a
respeito dos resultados do projeto. “Eles se sentem mais acolhidos e
vistos num momento tão complicado”, conta. O projeto surgiu da
necessidade dos pacientes de não ficarem tão fora do ritmo da sala de
aula, durante o tratamento, que demora de três a quatro horas e é feito
em vários dias da semana.
“Como o processo não pode ser interrompido, muitos precisam perder
aula. A partir dessa realidade, tivemos a iniciativa de pensar num
projeto que atendesse a essa demanda”, explica. A princípio, a Unifor
realizou um trabalho com crianças e adolescentes que se submetiam à
hemodiálise, mas o projeto se estendeu e, atualmente, também beneficia
adultos.
Fonte: Diário do Nordeste.
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