Um estudo feito com o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, e com um
telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO) instalado no deserto do
Atacama, no norte do Chile, mostra que as estrelas, assim como as
pessoas, nem sempre aparentam a idade que têm. Isso porque umas
envelhecem mais devagar que outras.
É o que ocorre nos aglomerados globulares, coleções esféricas de astros
ligados entre si pela ação da gravidade. Esses corpos são considerados
"relíquias" do começo do Universo, com idade entre 12 e 13 bilhões de
anos. Apesar de muito antigas, algumas estrelas ali são consideradas
"jovens de espírito".
Aglomerado globular NGC 6388 é observado por telescópio do ESO no norte do Chile
(Foto: ESO/Divulgação)
Segundo o líder da equipe, Francesco Ferraro, da Universidade de
Bolonha, na Itália, os astrônomos encontraram uma forma de medir a "taxa
de envelhecimento" das estrelas. Os resultados do estudo estão
publicados na revista "Nature" desta quinta-feira (20).
Só na Via Láctea, existem cerca de 150 aglomerados globulares, que
contêm muitos dos astros mais antigos da nossa galáxia. Esses
aglomerados se formam em um curto espaço de tempo, o que levaria a crer
que os corpos dentro deles tivessem a mesma idade.
No entanto, algumas estrelas – chamadas retardatárias azuis – ganham um
novo "fôlego de vida", ao receber uma quantidade extra de matéria, que
as faz crescer e ficar mais brilhantes. Isso acontece quando um astro
suga massa de um companheiro ou dois corpos se colidem.
Imagem do mesmo aglomerado, desta vez visto pelo Telescópio Espacial Hubble
(Foto: ESO/Divulgação)
Para entender melhor esse processo, o time de astrônomos mapeou a
localização de retardatárias em 21 aglomerados globulares. Eles viram
que, em alguns, essas estrelas azuis estão espalhadas por todo o
aglomerado, em outros ficam no centro e, em outros ainda, deslocam-se
aos poucos para o núcleo. Esse movimento causa um colapso e uma
compactação do aglomerado, e está ligado ao número, à densidade e à
velocidade com que os astros "andam".
Os aglomerados que evoluem depressa completam esse ciclo em algumas
centenas de milhões de anos, enquanto os mais lentos precisam de várias
vezes a atual idade do Universo – cerca de 13,7 bilhões de anos –,
destacam os cientistas.
Alguns dos 21 aglomerados globulares registrados pelo Hubble e a partir do solo
(Foto: ESO/Divulgação)
Fonte: G1.
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