A pedagoga Renata Teixeira não sabe, mas chega a pagar 47% em impostos sobre produtos da lista de material escolar das filhas
Até junho, consumidores de todo o Brasil passarão a ter direito de
saber qual a participação dos impostos no valor final de produtos e
serviços adquiridos. A medida, sancionada em dezembro, tem o prazo de
seis meses para ser implementada. Além de discriminar na nota fiscal a
totalidade referente a tributos federais, estaduais e municipais, que
incidem sobre mercadorias ou serviços, a lei admite que os
estabelecimentos exponham painéis informativos com os valores ou os
percentuais dos impostos. A regra também se aplica ao caso de produtos
com regimes tributários diferenciados.
A medida agradou a
pedagoga Renata Teixeira. Segundo ela, no dia-a-dia, é difícil descobrir
quanto que é pago de imposto nas compras. Renata não sabe, mas só na
lista de material escolar das filhas, a tributação de alguns itens pode
chegar a 47% do valor do produto. Se for analisar o carrinho de compras
no supermercado, itens básicos como arroz e feijão têm uma carga
tributária de 17,24%. Caso as compras incluam itens de higiene pessoal,
como xampu, a tributação chega a 44,20%. “A gente tendo isso mais
claramente vai acabar pensando melhor na hora de comprar. Você pondera
mais, na hora que está comprando, para não pagar tanto”, afirma Renata.
Na
opinião do presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, a principal vantagem da lei será
esclarecer os valores desembolsados com os tributos pelos contribuintes.
“Por meio da exposição dos valores dos impostos, as pessoas vão começar
a cobrar um melhor investimento desses recursos, principalmente, em
serviços públicos”. Segundo ele, a aprovação da lei foi uma vitória.
“Essa lei é decorrente de uma ação popular, ou seja, uma coleta de
assinaturas, feita em 2005. Foram quase 1,6 milhão de assinaturas”,
relembra.
Ônus
Apesar de
beneficiar todos os consumidores, segundo Fernando Castelo Branco,
presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação da
Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a nova lei trará um
ônus para a indústria uma vez que será necessário controlar os
percentuais dos tributos que incidem sobre as mercadorias. “Para quem
faz um produto e está localizado em um estado, não é problemática. Mas
uma empresa que tem uma linha diversificada e atua em vários estados,
ela vai ter um custo adicional só para ter o controle”, afirma Fernando.
Ainda segundo ele, a expectativa da indústria é que, com a nova lei, o
governo tenha mais “pudor” na tributação.
Conscientização
Segundo
Hugo de Brito Machado, professor de direito tributário, é uma garantia
do consumidor saber se, no preço da mercadoria ou do serviço, está
embutido algum valor que será destinado ao governo. Segundo ele, desde
1988, a Constituição Federal prevê a necessidade de esclarecimento dos
valores destinados aos tributos, no entanto, somente agora, a
discriminação dos impostos se tornou lei. “É uma medida positiva, mas de
efeito bastante demorado. As pessoas acham que só pagam impostos
aqueles vão aos bancos e efetuam os pagamentos correspondentes, o que
não é verdade”, explica.
Fonte: O Povo Online.
Nenhum comentário:
Postar um comentário