Quando decidiu fazer a seleção para um estágio na Ambev, o estudante
de Tecnologia em Processos Químicos (IFCE), Yago Nogueira, 20 anos, nem
sabia quanto seria o salário que passaria a receber caso fosse aprovado
para a vaga.
“Em nenhum momento o valor do salário
foi determinante para minha escolha de tentar este estágio”, conta Yago.
“Decidi fazer a seleção da Ambev pelo programa estruturado de
treinamento que eles têm. É um programa voltado principalmente para
desenvolver a capacidade analítica dos estagiários em vários projetos da
empresa, não apenas para suprir pequenas demandas de mão de obra, como
em outros lugares”, justifica o universitário.
Yago não é o
único a pensar assim. Aliás, este pensamento hoje é o da maioria dos
jovens que estão começando a entrar no mundo corporativo. É o que
revelam duas pesquisas realizadas por instituições diferentes e
divulgadas na última semana. Ambas mostram que na hora de escolher uma
empresa para estagiar ou trabalhar, o principal critério usado pelos
jovens é a possibilidade de iniciar uma carreira (e não o quanto ele
ganhará com este emprego).
A primeira pesquisa foi feita pelo
Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) e consultou 4.834 internautas, de
todo o País, com idade entre 15 e 25 anos. Ao responderem à pergunta: “O
que é mais importante em sua carreira?”, a maioria (39,35%) apontou a
alternativa “Ter sucesso e reconhecimento”. Em segundo lugar, veio a
opção “Estabilidade profissional”, com 22,67% dos votos.
A
alternativa “Ter um bom salário e benefícios” só aparece em quinto e
último lugar, indicada por apenas 9,5% dos pesquisados. À frente dela
no ranking, estão “Uma profissão capaz de ajudar as pessoas”, com
18,62%, e “Atuar em uma empresa socialmente responsável”, com 9,87%
(veja quadro ao lado),
“O resultado da pesquisa é
surpreendente”, admite a pedagoga e analista de treinamento do Nube,
Lizandra Bastos, em entrevista ao O POVO, por telefone. “Realmente, não
esperávamos o salário aparecer como o último item”, completa (leia
Bate-Pronto nesta página).
Carreira
A
importância da questão salarial também foi minimizada pelos
entrevistados da outra pesquisa no mesmo universo de público, coordenada
pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). O levantamento foi
realizado nas últimas semanas de dezembro de 2012, com 7.379 jovens de
todo o País cadastrados no site da organização.
Questionados
sobre qual a colaboração mais importante que um estágio tem nas suas
futuras carreiras, 57% disseram que era “A oportunidade de aprendizado”.
Outros 28% assinalaram a opção “Aplicação de conceitos, técnicas e
conhecimentos teóricos adquiridos em meu curso”. Juntas, estas duas
opções, que dialogam entre sim, convenhamos, foram escolhidas por 85%
dos participantes da pesquisa.
Enquanto isso, apenas 8% do
total de entrevistados marcou a alternativa “O recebimento de
bolsa-auxílio e benefícios”. Outras quatro opções também foram
apontadas, mas nenhuma delas com índice superior a 2% (veja quadro nesta
página).
“Até certo ponto, a gente achou que a bolsa-auxílio
apareceria entre os dois primeiros colocados”, analisa o superintendente
de Operações do CIEE, Eduardo de Oliveira, em entrevista ao O POVO, por telefone.
“Essa
questão é importante porque mostra que esta geração não está preocupada
só com questões financeiras, e sim em agregar conhecimentos para o seu
futuro profissional. Mostra ainda que o estagiário está preocupado com
sua carreira, com sua inserção no mercado de trabalho”, reforça.
O
executivo do CIEE credita esta mudança de postura à influência que
mundo globalizado e à facilidade do acesso à tecnologia que esta nova
geração usufrue.
Longe de teorizações, o universitário Yago
Nogueira - que foi aprovado na seleção e hoje é estagiário da Ambev - dá
sua opinião. “Muita gente ainda vê um estagiário apenas como mão de
obra barata - tanto empresas quanto os próprios estudantes. Não percebem
que quando o estágio é bem estruturado, ganham todos”.
Como
ENTENDA A NOTÍCIA
As
pesquisas foram realizadas com jovens que estão cadastrados nos sites
das duas organizações. Ao acessarem suas contas nos sites das empresas,
eles foram convidados a responder às perguntas.
"SABER
QUANTO EU GANHARIA NUNCA FOI DETERMINANTE NA HORA DE ESCOLHER EM QUAL
EMPRESA ESTAGIAR, EU PRIORIZO A POSSIBILIDADE DE APRENDIZADO”
Yago Nogueira, estudante de Tecnologia em Processos Químicos (IFCE) e estagiário
Fonte: O Povo Online.
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