Crateús O prédio histórico “Casarão”, localizado no
Centro desta cidade, na confluência das ruas Barão do Rio Branco e
Coronel Lúcio, não será demolido e terá suas características
arquitetônicas preservadas, de acordo com audiência de conciliação
ocorrida na última quarta-feira à noite, no Fórum Desembargador Olavo de
Rodrigues Frota, neste município.
O juiz de Direito, auxiliar da 3° vara, Adriano Pontes Aragão,
sentenciou acordo entre as partes envolvidas na ação cautelar impetrada
pelo Ministério Público (MP), da Comarca de Crateús, relativa à ameaça
de demolição do imóvel.
O grupo empresarial, proprietário da edificação, poderá explorar
economicamente o local, mas preservando as suas características
originais. Algumas alterações deverão ser feitas para ajustar a antiga
residência à atividade comercial que será implantada pelo grupo no
imóvel.
Pelo acordo, serão preservadas as paredes originais da fachada
externa; o primeiro pavimento poderá ser ampliado e coberto e a palmeira
imperial existente no local será resguardada, caso esteja em condições
adequadas e de segurança. Finaliza o acordo: “Todas as alterações
autorizadas neste acordo serão feitas procurando a máxima preservação
das características da edificação que a tornam bem do Patrimônio
Cultural de Crateús, limitada à viabilidade econômica do
empreendimento”.
A ação do Ministério Público teve como motivação o episódio ocorrido
há um mês, no dia 24 de setembro passado, quando populares impediram a
demolição do prédio, tomando como base o artigo 216, da Constituição
Federal, reconhecendo “o inegável valor histórico, paisagístico e
arquitetônico do imóvel para este Município, porquanto portador de
referência à identidade, à ação e à memória dos ancestrais formadores da
sociedade crateuense”, diz, em um dos trechos.
Naquela noite, os manifestantes chegaram ao local poucos minutos
antes da demolição do prédio. Parte do muro do quintal já havia sido
destruído.
O restante da demolição, conduzida por máquinas contratadas pelo
grupo Ramlive – atual proprietário da antiga residência – foi impedida
devido à ação dos manifestantes, que ficaram dentro e ao lado do prédio,
contendo a atividade. E durante a noite, ficaram em vigília. O fato foi
registrado em matéria pelo Diário do Nordeste.
Conhecido pelos crateuenses como “Casarão” ou “Castelo”, o prédio do
Centro foi construído em 1932 pelo médico Benjamin Hortêncio. Tem,
portanto, 80 anos e é um dos prédios mais pomposos da cidade.
Na ocasião, o grupo explicou que adquiriu o prédio para realizar
investimentos na cidade e não havia nenhum registro que impedisse a
demolição.
“O prédio não é tombado e então compramos e estamos com tudo
legalizado e autorizado. Estamos de acordo com as leis”, afirmou um dos
sócios do Grupo, Adail Rodrigues.
Os manifestantes, capitaneados pela Academia de Letras de Crateús
(ALC) procuraram o Ministério Público, que reuniu ambas as partes no dia
seguinte.
No encontro, o promotor José Arteiro Soares Goiano, citando a
Constituição Federal como protetora de valores materiais e imateriais,
propôs que o grupo empresarial sustasse a ação, até que a Justiça
definisse o conflito de interesses. Para a Academia de Letras de
Crateús, o acordo foi satisfatório, embora a instituição almejasse a
compra do prédio pelo poder público municipal, a fim de que fosse
posteriormente transformado em Casa de Cultura.
“O episódio mudou a história de Crateús. A partir de então, nenhum
prédio será demolido. A população despertou e o poder público, neste
mês, avançou criando o Conselho do Patrimônio Histórico”, ressalta o
presidente da ALC, Elias de França.
O promotor José Arteiro Soares Goiano destaca o ineditismo da ação.
“É um evento histórico porque, pela primeira vez na Comarca de Crateús,
foi impetrada ação nesse sentido, com enfoque ao tema”, ressaltou ele.
Silvania Claudino
Repórter
Repórter
Fonte: Crateús Noticias.
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