Na época da colonização do Brasil, os índios da tribo tremembé eram
chamados de tapuios que significa língua travada. Eles não falavam o
tupi-guarani. Isso não impediu que durante os anos eles carregassem as
tradições do povo indígena. Atualmente, a maioria dos tremembés vive na
região de Almofala, em Itarema, a 190 km de Fortaleza, e tem vivido novas conquistas.
A cultura indígena começou a ter outras formas de serem transmitidas,
além da linguagem oral. Na sala de aula, Claudevanda dos Santos, esposa
do cacique da tribo, e os irmãos Getúlio e Andreína dos Santos
conseguiram unir o conhecimento histórico do povo deles com o
conhecimento acadêmico. Eles fazem parte da primeira turma indígena
graduada em ensino superior por universidade federal do Nordeste.
“Quando você luta com vontade, você se sente realizado e é o que eu sou
hoje”, diz Getúlio. A turma dele colou grau na frente dos 600 membros
da comunidade. A conquista foi possível com a persistência do professor
Babi Fonteles trabalha com os índios tremembé desde 1992. Nessa relação
de descoberta e admiração, o professor conseguiu levar a universidade
até eles.
Em regime especial, a Universidade Federal do Ceará
usou os próprios indígenas para dar aulas em cadeiras que ninguém, se
não eles, seriam capazes . “Essa conquista não é só do povo Tremembé.
Essa conquista é histórica de muitos povos indígenas e também de muitos
segmentos da população brasileira que estavam excluídos da universidade.
Os tremembés simbolizam anseios históricos do povo brasileiro, seja ele
indígena ou não”, afirma Babi Fonteles.
Enquanto estavam na sala de aula, outras vitórias aconteceram. Manoel
Xavier, um dos concludentes, é o primeiro vereador indígena eleito no
Ceará. “A escola reforça a luta e a luta reforça a escola. O curso vem
todo focado na nossa cultura, na luta do nosso povo”, diz Xavier.
“Apesar de dizerem que no estado do Ceará não existe mais índio, nós
estamos mostrando o outro lado, que existem índios, trabalhando do seu
jeito, da nossa forma, com a autonomia de viver do seu jeito, de fazer o
que pensa, da forma que aprendeu com seus antepassados. É um orgulho
pra mim muito grande”, afirma o cacique Tremembé João Venâncio
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