Apenas um em um milhão de fetos é capaz de se desenvolver fora do útero. A medicina só conhece dois casos como esse em todo o mundo.
O nascimento de um bebê foi um mistério só revelado na hora do
parto. A primeira gravidez de Lia, a mãe da criança, foi um mundo de
descobertas até para a medicina. A gestação parecia normal, os exames
revelavam um feto saudável. Mas, diferente de outras futuras mamães, Lia
sentia fortes dores.
“Era tão doloroso, era como se tivessem facas, lâminas, cortando devagarzinho dentro de meu estômago”, disse Lia.
Ninguém desconfiava, mas a criança ganhou vida na cavidade
abdominal da mãe. Apenas um em um milhão de fetos é capaz de se
desenvolver fora do útero. Os médicos só conhecem dois casos como esse
em todo o mundo. A ideia de um feto sobreviver entre as alças do
intestino da mãe parecia tão improvável que os médicos custaram a
acreditar.
Só quase no final da gravidez, eles começam a perceber o que poderia
estar acontecendo. “Não fazia sentido. Olhamos todos os exames com
atenção e foi aí que a gente pensou: ‘será que esse feto não está dentro
do útero?’”, disse um médico.
Segundo os médicos, algo deu errado logo depois da fecundação. O
óvulo fertilizado normalmente viaja pelas trompas até o útero, mas este
foi na direção oposta. Atravessou o abdômen e se prendeu ao útero, mas
pelo lado de fora.
Geralmente em um caso como esse, a gravidez não se desenvolve. É interrompida naturalmente.
E mais um milagre: o ovo se alojou no único lugar onde foi possível receber normalmente o oxigênio e os nutrientes da mãe.
Lia sentia dores porque dentro do útero não existem extremidades nervosas. Mas do lado de
fora qualquer movimento do bebê é muito desconfortável para a mãe.“A dor não parava de aumentar e eu não entendia a razão”, lembra Lia.
Os médicos decidiram então fazer uma cesariana de emergência. Veio a
confirmação e a surpresa: esmagada, debaixo do fígado, enrolada no
intestino, estava uma criança saudável.
Mesmo prematura, de oito meses, todos os órgãos vitais funcionavam
normalmente. Os médicos sabem agora que se não tivessem operado Lia a
criança não teria como nascer. Por causa da posição na barriga, ela
nasceu com pé torto e deslocamento de quadril. Mas com cirurgia, e ao
longo do tempo, tudo foi corrigido. Agora é uma menina cheia de energia
que lutou pela sobrevivência desde o primeiro sopro de vida.
Fonte: Globo.com
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