Segundo João Melo, a maior dificuldade dos municípios pequenos para
ampliar a transparência é a falta de quadros adequados para divulgar os
dados (Foto: Rafa Eleutério)
Um total de 150 municípios cearenses tem os próximos quatro meses
para viabilizar a publicação de informações contábeis sobre a
administração pública, em detalhes e em tempo real, pela internet. A Lei
da Transparência, aprovada em 2009, concedeu um prazo de quatro anos
para que todas as cidades com até 50 mil habitantes ficassem obrigadas a
divulgar os dados. O problema é que mesmo os municípios maiores, que já
deveriam estar cumprindo a lei, não têm conseguido disponibilizar
receitas e despesas em linguagem de fácil compreensão e com rapidez.
Criada para permitir que a população acompanhe e controle as ações
dos gestores públicos, a Lei Complementar 131, conhecida como Lei da
Transparência, tem sua efetivação prevista para ser concluída neste ano.
Apesar dos avanços indicados por órgãos de controle e mesmo por
gestores sobre a divulgação dos dados, a população ainda tem dificuldade
no acesso. Isso porque, além de nem todas as cidades disponibilizarem
uma página específica, os portais muitas vezes não trazem informações
atualizadas nem planilhas de fácil compreensão.
O presidente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Manoel
Veras, afirma que, com o fim dos prazos, não há justificativa para que
os municípios deixem de cumprir a Lei da Transparência. Ele afirma que a
Corte não tem como assegurar o cumprimento da legislação, mas lembra
que é papel dela, assim como do Ministério Público e da população,
cobrar que os gestores divulguem as contas na internet.
Atraso
Ele afirma que, de uma maneira geral, o principal problema dos portais dos municípios se refere ao atraso na publicação dos dados. “Agora a falta de divulgação é uma coisa complicada de analisar porque teríamos que estar todos os dias verificando. Não há como acompanhar todos os municípios em tempo real”, declara. Manoel Veras lembra que o TCM já disponibilizou aos municípios um modelo de portal da transparência. “Não há obrigação de utilizar o modelo do Tribunal, mas fizemos a nossa parte de dar as ferramentas”, diz.
A maior parcela dos municípios cearenses está na faixa que fica
obrigada, a partir de maio, a divulgar receitas e despesas na internet. O
Estado está disponibilizando modelo do portal e cursos de capacitação
voltados para as áreas de tecnologia da informação e manuseio das
informações públicas. “O Governo sabe que é exatamente nessa faixa que
se tem a maior dificuldade até porque eles sequer têm estrutura de
informática adequada e de pessoal qualificado”, afirma o
controlador-geral, João Melo.
Segundo aponta, a maior dificuldade dos municípios pequenos para
ampliar a transparência é a falta de quadros adequados para
operacionalizar o processo de divulgação dos dados. Ele admite ainda que
a divulgação pelas prefeituras do Interior não deve ocorrer de forma
automática. “Mas o ajustamento para cumprir a lei não pode ultrapassar
datas limites porque coloca gestor em situação desconfortável, sujeito a
penalidades”.
Em maio do ano passado, entrou em vigor a Lei Geral de Acesso à
Informação, que obriga todos os órgãos públicos, seja de esfera
municipal, estadual ou federal, a divulgar informações solicitadas pelo
cidadão em um prazo fixado. Mesmo os municípios menores já têm que
cumprir essa norma. Para o controlador João Melo, a implantação do
portal é indispensável para que as prefeituras exerçam o controle
interno preventivo e implantem ouvidorias, objetivando atender à Lei
Geral de Acesso.
Fonte: Diário do Nordeste.
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