Ninho preservado de espécie ancestral comum entre flamingos e mergulhões
foi datada como tendo 18 milhões de anos Imagem: Pesquisa Fapesp
Há 18 milhões de anos, no período Mioceno, nossos ancestrais eram uma
espécie de meio caminho entre um babuíno e um orangotango, ou algo mais
parecido com os atuais gibões.
Nessa mesma época, no que hoje é a Espanha, vivia uma espécie de ave
que é um ancestral comum entre os flamingos e os mergulhões, na
atualidade aves bem diferentes uma da outra. Pois foi justamente entre
fósseis desse elo perdido que se achou o ninho de ave bem preservado
mais antigo.
Flamingo-americano, uma das espécies do grupo que ocorrem no Brasil
Imagem: Adrian Pingstone
A pesquisa envolveu um cientista brasileiro, Luiz Fábio Silveira, eum
suíço, Gerald Grellet-Tinner. De acordo com o estudo da dupla, a ave
“tinha a estrutura óssea e provavelmente a aparência similares às de um
grande flamingo atual, com pernas longas, pescoço comprido, bico curvo. A
altura atingia por volta de 1,5 metro”.
Os vestígios do ninho dessa ave, ainda não batizada, foram
encontrados praticamente intactos no que um dia foi um raso lago de água
salina, hoje soterrado por camadas de sedimentos, na bacia calcária do
rio Ebro, norte da Espanha.
Mergulhão-de-touca, espécie vive no sul da Patagônia
Imagem: IUCN
Ao lado do ninho, que protegia ovos semialongados com dimensões
máximas de 4,5 por 3 centímetros, foram resgatados uns poucos fragmentos
de ossos do pé (tarso e metatarso) e um bem preservado tibiotarso
esquerdo, a popular coxa da ave.
Estudos da anatomia e da genética de flamingos e mergulhões sugerem
que, num passado remoto, elas tiveram um ancestral comum há mais de 20
milhões de anos, durante a época geológica denominada Mioceno. Desse
período, já era conhecido o gênero Palaelodus, que pode ser parente dos três grupos animais.
A nova espécie de paleoflamingo parece indicar que os primeiros
exemplares dessa família de aves tinham hábitos reprodutivos e de
construção de ninhos semelhantes aos dos mergulhões.
O fóssil espanhol seria um resquício de um tempo remoto em que os ninhos de mergulhões e flamingos exibiam estrutura parecida.
Com Informações: Pesquisa Fapesp
Fonte: Diário do Nordeste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário