Dez pesquisadores brasileiros desenvolvem o revestimento de espelhos e
as estruturas metálicas dos cem telescópios do observatório CTA
Um grupo de aproximadamente mil pesquisadores de 28 países, entre eles
do Brasil, pretende construir até 2015 o maior observatório do mundo
dedicado ao estudo de corpos celestes que emitem radiação gama – a
radiação de mais alta energia.
O CTA (Cherenkov Telescope Array) será instalado em dois lugares
diferentes, um no hemisfério Sul, onde Chile, Argentina e Namíbia são
candidatos para receber o experimento, e o outro no hemisfério Norte, no
qual os Estados Unidos e a Espanha já manifestaram interesse. A escolha
das duas sedes será decidida até o fim de 2013.
Para instalar o equipamento, o país precisa ter uma área com atmosfera
muito bem limpa a pelo menos 2.000 metros acima do nível do mar, sem
contaminação de luz e com pouca formação de chuva e nuvens. No Brasil,
não há região assim.
O observatório terá cem telescópios terrestres sensíveis à radiação
gama, distribuídos igualmente nos dois hemisférios. Os equipamentos irão
operar em conjunto, orientados para observar um único corpo celeste por
vez, como remanescentes de supernovas, galáxias com núcleo ativo e
quasares que emitem radiação gama. Com isso, a precisão do estudo desses
objetos celestes será muito maior do que a se tem atualmente.
"O único observatório de astronomia gama em funcionamento hoje – o
Observatório Hess, instalado na Namíbia – possui cinco telescópios
operando em conjunto. O CTA será capaz de medir a radiação gama
produzida durante fenômenos astrofísicos com sensibilidade dez vezes
maior", disse Luiz Vitor de Souza Filho, professor do Instituto de
Física de São Carlos da USP (Universidade de São Paulo ) e um dos dez
brasileiros que colaboram no projeto.
Ajuda brasileira
Além da produção de conhecimento, os cientistas também pretendem ajudar
na construção da instrumentação do CTA. De acordo com Souza Filho, o
grupo de brasileiros têm interesse no tipo de astrofísica que o CTA irá
estudar, que conecta a tradicional com a de partículas (os raios
cósmicos).
"É quase mandatório que um país-membro que queira ter acesso aos dados
gerados pelo experimento em igualdade com os demais integrantes tem que
contribuir com a construção. Por conta disso, estamos desenvolvendo dois
projetos de instrumentação para o CTA", contou Souza Filho.
Um dos projetos é voltado para o desenvolvimento do revestimento dos
espelhos que recobrirão os telescópios, que têm a função de refletir a
luz e, ao mesmo tempo, proteger o equipamento das intempéries
climáticas. Como ficará exposta na atmosfera, a parte refletora dos
telescópios terá que durar muito tempo e ser muito bem feita para que
não se solte do vidro e afete as propriedades refletoras e protetoras do
espelho.
Outro projeto brasileiro é o desenvolvimento de estruturas metálicas de
sustentação dos telescópios. Com cerca de 16 metros de comprimento,
essas estruturas precisam segurar um conjunto de instrumentos
eletrônicos que pesam 2,5 toneladas nas extremidades sem envergar mais
do que 20 milímetros para não prejudicar as imagens produzidas pelos
telescópios.
"Já tínhamos know how na construção desse tipo de instrumentação por
conta do desenvolvimento de tecnologias muito parecidas com essas. que
projetamos para o observatório Pierre Auger, na Argentina", disse Souza
Filho.
A equipe da USP atualmente desenvolve os protótipos do revestimento dos
espelhos e da estrutura mecânica dos telescópios, que deverão ser
concluídos até 2013, data de início da construção do CTA para entrar em
operação em 2015.
Também participam da construção do CTA pesquisadores do Instituto de
Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, da UFSCar
(Universidade Federal de São Carlos), da UFABC (Universidade Federal do
ABC), do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro).
Fonte: UOL.
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