A polícia do Espírito Santo
abriu inquérito para investigar uma denúncia de tortura contra mais de
50 detentos que reclamavam de falta d’água na penitenciária. O diretor
da unidade foi afastado.
De acordo com a denúncia, a tortura aconteceu em um presídio na cidade de Vila Velha,
Região Metropolitana de Vitória. No dia 2 de janeiro, segundo as
investigações, 52 presos foram levados ao pátio e obrigados a ficar
sentados no chão por duas horas. O cimento estava quente por causa do
sol e todos os presos sofreram queimaduras.
"O que nos assusta é verificar que, diante de tal circunstância e de
tal comportamento, após serem verificadas lesões tão graves, essas
pessoas permaneceram isoladas, sem contato com familiares", diz o juiz
Marcelo Loureiro, da Comissão de Prevenção à Tortura do Espírito Santo.
Só nesta quinta-feira (10), oito dias depois das queimaduras, é que os
presos foram encaminhados para exames médicos no Instituto Médico Legal
(IML). A tortura teria acontecido porque os presos estavam reclamando de
falta d’água na cadeia. O governo do Espírito Santo mandou abrir um
inquérito na polícia e afastou o diretor do presídio.
"Aparentemente, pelas informações e pelos indícios que nos foram
apresentados, é provável que tenha havido uma falha ou excesso no
procedimento realizado dentro da unidade. Por isso que nós tomamos as
medidas e a cautela necessárias", afirma o secretário estadual de
Justiça, André Garcia.
O presidente do Tribunal de Justiça, Pedro Valls Feu Roda, afirma que
esse não foi um caso isolado. "Há necessidade de uma intervenção mais
enérgica, porque o que tem sido feito até agora, apesar de ser muito,
claramente não está produzindo efeitos", diz.
Fonte: G1
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