Hoje faz dois anos da maior tragédia climática do país que deixou mais
de 900 mortos na Região Serrana do Rio. Quem sobreviveu reclama que
obras importantes para melhorar a segurança nas áreas de risco ainda não
foram feitas. E as casas prometidas para quem perdeu tudo não foram
entregues.
Uma cidade de luto. Fitas pretas e cartazes foram espalhados por Nova Friburgo. Em homenagem às vítimas da maior tragédia climática do Brasil, cruzes e rosas para lembrar os que morreram.
"É uma saudade eterna. A gente sente muito, mas não esquece", diz a costureira Elaine Rodrigues.
Na madrugada de 12 de janeiro de 2011, sete cidades da Região Serrana
do Rio foram atingidas pelo temporal. Toneladas de terra e pedras
desceram das montanhas e arrasaram bairros inteiros. Ao todo, 918
pessoas morreram, 166 estão desaparecidas até hoje e mais de 7 mil
ficaram desabrigadas.
É uma homenagem aos mortos sim. Mas também um protesto na tentativa de
preservar a vida. Uma maneira de cobrar promessas feitas por autoridades
logo depois da tragédia e que até hoje não foram cumpridas.
"Uns estão voltando para casa porque não estão recebendo aluguel. Está um imbróglio danado", revela o pintor Jeová Santos.
Em dois anos, novos deslizamentos foram registrados. Mais pessoas morreram, e as sirenes de alerta viraram o som do medo.
"Começou a chover, ninguém dorme. Quem está aqui não consegue dormir", conta a frentista Marcilene dos Santos.
Os governos federal e estadual dizem que R$ 700 milhões foram
investidos para recuperar as cidades atingidas. Mas, das 5 mil casas
prometidas, nenhuma foi entregue. Muitas encostas não receberam as obras
de contenção.
"Eu acredito que no segundo trimestre deste ano a gente comece a
entregar a inaugurar essas unidades habitacionais", diz o subsecretário
de recuperação da Região Serrana, José Beraldo.
Dois anos depois, urgência é o que pedem os moradores, porque, na
Região Serrana, o tempo pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
"Hoje é um dia de chorar e de pedir para que no ano que vem a gente não
tenha que chorar outras mortes", diz a pedagoga Élia Fernandes.
Fonte: G1.
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