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domingo, 7 de setembro de 2014

Abandono de gatos provoca problema de saúde pública

Despejo ilegal de animais no cemitério cria foco de doenças

fotos: Elizângela Santos 
Juazeiro do Norte. A superpopulação de gatos no principal cemitério deste município se tornou polêmica, em virtude do abandono frequente desses animais no espaço pela população e a dificuldade de encaminhamento para adoção responsável. Alguns deles já foram retirados do cemitério do Socorro, mas uma preocupação é que a parceria com a instituição que estaria realizando o encaminhamento, a Associação de Proteção dos Animais Carentes (Apac), ainda não foi efetivada com o Centro de Zoonoses de Juazeiro do Norte.


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Os órgãos responsáveis alertam para o crime de abandono, passível
 de punição. A direção do Centro de Zoonoses afirma que irá desencadear
 uma campanha no intuito de divulgar a lei e conscientizar a população 
Uma reunião foi realizada junto com representante do Ministério Público e administração municipal, além da entidade. O MP recomendou que houvesse uma solução para o problema. Uma nova reunião será realizada com a presença de representante da Secretaria de Saúde da cidade e a Apac para tentar resolver essa situação.

A problemática deverá ser resolvida até o começo da romaria, no dia 10, mas, pelo menos aparentemente, a situação não deverá ser solucionada com tanta facilidade, já que se tornou um hábito de muitas pessoas jogar caixas com ninhadas de gatos, para ficarem naquele espaço.

Crime

Os órgãos responsáveis alertam para o crime de abandono, passível de punição. A direção do Centro de Zoonoses afirma que irá desencadear uma campanha no intuito de divulgar a lei e conscientizar a população.

No cemitério não há vigilantes e o lugar tem servido para as pessoas utilizarem como banheiro, já que em alguns pontos podem ser encontrados dejetos humanos. Gatos mortos são comuns de serem vistos. Os animais morrem de fome ou doentes em virtude do abandono. Alguns deles são alvos da solidariedade de pessoas com amor à causa. Uma delas é uma senhora que não quis se identificar e diz estar com medo até de vir ao local, como faz há mais de um ano, no final da tarde, alimentar os gatos.

Os felinos já esperam pelo alimento e correm para perto da mulher ao avistá-la com ração e água. Ela diz estar apreensiva com a retirada dos gatos para que eles não sejam mortos em massa.

Dificuldades

A Apac é uma entidade criada há menos de dois anos e sobrevive de doações. A vice-presidente da entidade, Eloisa Gláucia Gomes de Oliveira afirma que foi iniciado um trabalho, mas está tendo dificuldades de firmar a parceria com o Centro de Zoonoses, após a entidade denunciar a infraestrutura precária do espaço. O local, conforme ela, funciona apenas na captura e realiza exames de sangue nos animais, para identificar doenças, sem o tratamento. O médico veterinário faz visitas ao local apenas na sexta-feira e, muitas vezes, o exame para saber dos animais doentes é apenas de olho mesmo. "Infelizmente, os cães e gatos e outros animais estão abandonados em nossa cidade", diz.

Para realizar o encaminhamento da posse responsável por meio da Apac, a entidade solicitou um local para colocar os gatos e um veterinário para o atendimento e cuidados necessários dos animais.

Uma preocupação da representante da Apac com o encaminhamento para o Centro de Zoonoses é que os animais saudáveis fiquem doentes ao se misturarem com os outros. Além disso, para realizar a doação, é importante que eles estejam sadios para entregar para a adoção que também tem um procedimento para acontecer. As pessoas assinam um termo de responsabilidade, com alguns itens para conhecimento da associação e têm o acompanhamento da entidade por seis meses.

Captura

Outro problema é a própria captura dos animais. Na semana passada, agentes estiveram no local para apreender alguns dos gatos e uma mulher foi retirar o seu animal da grade onde eles estavam sendo colocados e acabaram fugindo novamente, antes mesmo de sair do espaço. Para o administrador Mailson de Sousa é grande a preocupação, já que o problema persiste há anos.

Moradores das proximidades afirmam que, praticamente, todos os dias são colocadas caixas de filhotes de gatos e até cachorros. "Fica difícil acabar", diz a estudante e vendedora Gabriela Barbosa. Ela afirma que é muito triste ver os animais vagando no local sem que uma providência seja tomada, pois nos últimos anos tem aumentado a quantidade de gatos depositados no cemitério. Não apenas no Socorro, mas no Santuário dos Franciscanos, existe a queixa dos frequentadores do local, por conta dos gatos abandonados na área.

Mesmo com o temor das entidades de proteção com a possibilidade de os gatos serem eutanasiados, o Centro de Zoonoses afirmou que não há essa pretensão. Apenas os animais doentes que possam oferecer riscos é que normalmente passam por esse processo.

Ainda como forma de minimizar a reprodução dos animais, uma médica veterinária já chegou a fazer a esterilização de algumas gatas, mas mesmo com a solidariedade, o problema persiste e há pessoas que não aprovam a iniciativa dos voluntários, já que pode se tornar um clico vicioso para o problema.

Até o início da Romaria, o administrador do cemitério do Socorro estima que pelo menos metade dos gatos sejam encaminhados e saiam do local. A Secretaria de Cultura e Romaria, em virtude das reclamações, deverá desencadear também uma campanha em prol da adoção dos animais.

Enquete

São muitos gatos espalhados pelo cemitério?

“Agora estou achando é pouco, mesmo com essa quantidade que vemos. Já houve tempo de ser maior a quantidade de gatos por aqui. A gente vai convivendo aqui com essa realidade no lugar”
PEDRO FERREIRA DA SILVA
Pedreiro do cemitério
“Sempre teve muito gato por aqui. Só que ao invés de estar diminuindo, aumenta mais a quantidade de animais. Cheguei a contar mais de 100 à noite. Isso precisa ser resolvido de uma vez por todas”
LAURO GOMES DA SILVA
Ambulante
Elizângela Santos
Repórter
Mais informações:
Centro de Zoonoses de Juazeiro
Rua Tenente Raimundo Rocha, S/N
Bairro Planalto – Juazeiro do Norte
Telefone: (88)3566.4111
Associação de Proteção aos Animais Carentes (Apac)
Telefone: (88)8817.2878
Fonte: Diário do Nordeste

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