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domingo, 7 de setembro de 2014

Evento resgata autoestima de mulheres com deficiência

Além das dificuldades impostas pela falta de acessibilidade,
 o abandono por parte da família é um dos problemas enfrentados
FOTO: NATINHO RODRIGUES 
Primeiro, veio a dor do trauma, o desespero com as mudanças e o medo de não conseguir seguir em frente. Esse foi o sentimento da cearense Luana Oliveira, 32, ao descobrir que um acidente de carro, em 2011, lhe deixaria paraplégica para sempre. A perda não foi apenas dos movimentos de ambas as pernas. Levou um ano inteiro para que a microempresária, extremamente vaidosa, aceitasse as novas condições físicas e retomasse a autoestima abalada no dia do desastre.

"Quando sofri o acidente, fazia coleção de sapatos. Tinha 42 pares de salto alto. Então, foi muito triste. Passei um ano parada, sem me ajeitar, cuidar do cabelo, me maquiar. Mas depois de conhecer outras pessoas que estavam na mesma situação que eu, algumas até piores, voltei a me animar. Encarei a cadeira de rodas como um acessório, uma forma de chamar a atenção dos outros", diz Luana.

No próximo dia 12, a empresária e centenas de brasileiras em circunstâncias similares participarão do II Encontro de Mulheres com Deficiência em Fortaleza, conferência que, por meio de palestras, trocas de experiências e atividades de entretenimento, discutirá temas relacionados ao público feminino deficiente.

Segundo Aldir Costa, coordenador do evento, além das dificuldades impostas pela falta de acessibilidade nos centros urbanos, o abandono por parte da família e dos parceiros é uma das características mais comuns entre as mulheres que adquiriram ou nasceram com deficiências psíquicas, fisiológicas ou anatômicas. O desprezo leva à queda da autoestima. "No primeiro momento, elas se isolam. Ficam segregadas. Muitas delas não saem, não querem contato com sociedade, não têm lazer. Daí, muitas vezes, vêm a depressão".

Em 2013, primeiro ano do Encontro, mais de 300 marcaram presença, sendo 130 mulheres com deficiência. Neste ano, já são cerca de 160 confirmadas. Conforme o coordenador, o maior êxito da edição pioneira do evento foi ter possibilitado a socialização entre as participantes, a ajuda mútua e o incentivo ao empoderamento.

A principal atração do Encontro de Mulheres com Deficiência é o desfile de beleza protagonizado pelas participantes. No ano passado, a artesã Soraia Maria Ferreira, 43, foi uma das modelos que esbanjaram autoestima na passarela. Vítima de paralisia infantil desde os 11 meses de idade, a cearense afirma que as adversidades nunca tiveram impacto em sua confiança.

O II Encontro de Mulheres com Deficiência acontece no próximo dia 12 de setembro, no Espaço Bookafé, localizado no Bairro de Fátima.

Vanessa Madeira
Repórter
Mais informações
II Encontro de Mulheres com Deficiência
Inscrições: (85) 8771-8047ou (85)9653-8217.
Gratuito
 Fonte: Diário do Nordeste

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