Além das dificuldades impostas pela falta de acessibilidade,
o
abandono por parte da família é um dos problemas enfrentados
FOTO: NATINHO RODRIGUES
Primeiro, veio a dor do trauma, o desespero com as mudanças e o medo de
não conseguir seguir em frente. Esse foi o sentimento da cearense Luana
Oliveira, 32, ao descobrir que um acidente de carro, em 2011, lhe
deixaria paraplégica para sempre. A perda não foi apenas dos movimentos
de ambas as pernas. Levou um ano inteiro para que a microempresária,
extremamente vaidosa, aceitasse as novas condições físicas e retomasse a
autoestima abalada no dia do desastre.
"Quando sofri o acidente, fazia coleção de sapatos. Tinha 42 pares de
salto alto. Então, foi muito triste. Passei um ano parada, sem me
ajeitar, cuidar do cabelo, me maquiar. Mas depois de conhecer outras
pessoas que estavam na mesma situação que eu, algumas até piores, voltei
a me animar. Encarei a cadeira de rodas como um acessório, uma forma de
chamar a atenção dos outros", diz Luana.
No próximo dia 12, a empresária e centenas de brasileiras em
circunstâncias similares participarão do II Encontro de Mulheres com
Deficiência em Fortaleza, conferência que, por meio de palestras, trocas
de experiências e atividades de entretenimento, discutirá temas
relacionados ao público feminino deficiente.
Segundo Aldir Costa, coordenador do evento, além das dificuldades
impostas pela falta de acessibilidade nos centros urbanos, o abandono
por parte da família e dos parceiros é uma das características mais
comuns entre as mulheres que adquiriram ou nasceram com deficiências
psíquicas, fisiológicas ou anatômicas. O desprezo leva à queda da
autoestima. "No primeiro momento, elas se isolam. Ficam segregadas.
Muitas delas não saem, não querem contato com sociedade, não têm lazer.
Daí, muitas vezes, vêm a depressão".
Em 2013, primeiro ano do Encontro, mais de 300 marcaram presença, sendo
130 mulheres com deficiência. Neste ano, já são cerca de 160
confirmadas. Conforme o coordenador, o maior êxito da edição pioneira do
evento foi ter possibilitado a socialização entre as participantes, a
ajuda mútua e o incentivo ao empoderamento.
A principal atração do Encontro de Mulheres com Deficiência é o desfile
de beleza protagonizado pelas participantes. No ano passado, a artesã
Soraia Maria Ferreira, 43, foi uma das modelos que esbanjaram autoestima
na passarela. Vítima de paralisia infantil desde os 11 meses de idade, a
cearense afirma que as adversidades nunca tiveram impacto em sua
confiança.
O II Encontro de Mulheres com Deficiência acontece no próximo dia 12 de
setembro, no Espaço Bookafé, localizado no Bairro de Fátima.
Vanessa Madeira
Repórter
Repórter
Mais informações
II Encontro de Mulheres com Deficiência
Inscrições: (85) 8771-8047ou (85)9653-8217.
Gratuito
Gratuito
Fonte: Diário do Nordeste
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