Postes tortos, correndo o risco de pender em cima de alguém a qualquer
momento, outros velhos, sem utilidade alguma, pois estão sem fiação ou
iluminação pública, e até postes "esquecidos" no meio da rua, em pleno
asfalto, disputando espaço com os veículos, constituem o cenário das
ruas de Fortaleza. Alguns estão tão tortos que desafiam a gravidade e,
insistentemente, permanecem de pé. Para quem anda apressado, são
singularidades que acabam passando despercebidas. Mas, aos olhares mais
atentos, não só não passam batido como geram indignação pela falta de
zelo com a cidade.
Cansado do estado de depredação em que se encontram alguns postes de
Fortaleza, sejam eles de iluminação, energia elétrica ou de telefonia, o
advogado Luiz Antonio Lima resolveu agir e lançou o "Movimento em
defesa da cidadania". Munido de uma câmera, ele foi a vários pontos da
cidade e filmou a situação precária de alguns postes.
Descaso
"Eu queria saber de quem é a responsabilidade por esse tipo de descaso?
Até quando esse poste vai ficar dessa forma? É um absurdo, ele pode
cair e até matar alguém. Se não tomarmos uma providência, esse poste só
vai sair daqui quando matar alguém", opina, sobre o descaso com um poste
situado no cruzamento da Avenida Washington Soares com Avenida dos
Franceses. Apesar de desativado, o poste continua no local,
completamente torto, pondo em risco a vida de transeuntes.
No bairro Luciano Cavalcante, próximo à Câmara de Vereadores de
Fortaleza, na confluência das ruas Gontran Giffoni com Reverendo
Bolivar, chama a atenção um poste "esquecido" no meio da rua. Após a via
ter sido alargada e o asfalto recapeado, o poste permaneceu no mesmo
local, disputando espaço com motos, carros, ônibus e caminhões. "Isso
está totalmente fora dos padrões. É um poste no meio da rua para o
cidadão vir e se acidentar, pode matar motociclistas, pedestres, e o
poder público não está nem se incomodando", critica o advogado.
Outro problema que os usuários encontram é na hora de solicitar um
serviço. A lâmpada do poste situado em frente à casa da aposentada
Irismar Lima, 75, Na Rua Antônio Lafaiete, no bairro Presidente Kennedy,
queimou há três semanas, mas ainda não foi consertado, representando
risco à população do bairro, já que a rua escura facilita a ação de
assaltantes.
"Liguei para a Coelce e disseram para ligar para o Citeluz. Lá disseram
que não era com eles e, sim, com a Regional. Na Regional explicaram que
eu tinha que ligar para o 156. Fiz várias ligações, mas o telefone
estava o tempo inteiro ocupado e, quando finalmente deu certo, a moça
disse que o sistema estava fora do ar. Como é que pode um negócio
desses? Estou impressionada com a burocracia", desabafa.
Estrutura
Na visão da engenheira eletricista Tereza Neumann, presidente do
Sindicato dos Engenheiros do Ceará (Senge-CE), não existe uma manutenção
periódica por parte da rede concessionária. Ela acrescenta que, em
virtude de Fortaleza ter um alto índice de salinidade no ar, a estrutura
se desgasta muito mais rápido, o que exige uma manutenção preventiva
ainda mais recorrente.
"Nas ruas, a gente vê as ferragens dos postes expostas e quando tem
algum tipo de abalroamento, se a fiação não romper, permanece lá até que
alguém se prontifique a denunciar", afirma. A especialista acrescenta
que não existem profissionais para fazerem uma inspeção periódica de
toda a rede e, se eles existem, não são em quantidade suficiente, pois
não estão dando conta da demanda.
Demanda para conserto deve partir de denúncias
Quando ocorrem problemas em postes da Capital, geralmente as pessoas
não sabem a qual órgão recorrer. Alfredo Serejo, titular da
Coordenadoria Especial de Iluminação Pública, da Secretaria de
Conservação e Serviços Públicos (SCSP), explica que toda a iluminação
pública é de responsabilidade da Prefeitura e que a Companhia Energética
do Ceará (Coelce) é a concessionária responsável pelo fornecimento
dessa energia. Ele informa que Fortaleza tem mais de 185 mil pontos de
luz, dos quais cerca de 70% estão na rede concessionária e 30% em praças
e canteiros centrais de avenidas.
Serejo afirma que a manutenção da rede é feita de forma constante. Mas,
essa demanda tem que partir, sobretudo, da população, uma vez que é
difícil fiscalizar todos os 185 mil pontos de luz da cidade. Ele informa
que está sendo feito um trabalho de mudança de luminária e lâmpadas no
Parque São José e na Vila Manoel Sátiro, que está mudando para cor
branca. No ano passado, o mesmo serviço foi feito no Quintino Cunha e
Meireles. Os próximos a receberem os serviços são os bairros Moura
Brasil e Pirambu. Por ano, a Prefeitura investe em média R$ 13 milhões
com manutenção.
Já a Coelce informa que investiu, nos primeiros seis meses deste ano,
R$ 12,3 milhões com melhorias no sistema elétrico da Capital. Francisco
Queiroz, responsável pela área de manutenção e obras em Fortaleza e
Região Metropolitana esclarece que a manutenção da rede é feita a partir
de inspeções periódicas ou emergenciais, a partir dos problemas
identificados na rede elétrica, sendo a intervenção priorizada ou
programada, de acordo com o grau de criticidade. Só em decorrência de
abalroamentos, o órgão troca, em média, 34 postes mensalmente. Nestes
casos, quem arca com os prejuízos é a pessoa que causou o acidente.
Luana Lima
Repórter
Repórter
Mais informações:
Disque Iluminação Pública (ligação gratuita e atendimento 24 horas): 156
Central de Relacionamentos da Coelce: 0800.2850196
Fonte: Diário do Nordeste
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário